O GP de Mônaco teve diversos momentos marcantes, mas um dos assuntos mais comentados após a corrida não envolveu diretamente a disputa pela vitória.
O estado do asfalto na curva Antony Noghes gerou preocupação entre os pilotos e acabou provocando acidentes, safety-cars e uma bandeira vermelha que interrompeu a prova por cerca de meia hora.
Ao mesmo tempo, a Ferrari precisou responder aos questionamentos envolvendo a estratégia adotada para Charles Leclerc, que abandonou a corrida depois de um fim de semana marcado por problemas e frustração diante da torcida local.
Problema no asfalto provocou interrupção da corrida
A situação começou a ganhar destaque na reta final da prova.
Primeiro, Lance Stroll escapou na curva Antony Noghes e provocou a entrada do safety-car. Poucas voltas depois, na relargada, foi a vez de Charles Leclerc bater exatamente no mesmo ponto do circuito.
Inicialmente, a impressão era de que os acidentes haviam sido causados apenas por erros dos pilotos. Entretanto, os comissários identificaram um problema mais sério: o asfalto estava se soltando naquela região da pista.
A deterioração obrigou a direção de prova a interromper a corrida para realizar reparos antes da retomada das últimas voltas.
Hülkenberg revela que problema já era visível antes da largada
Após a corrida, Nico Hülkenberg afirmou que a situação já chamava atenção muito antes da bandeira verde.
“Já dava para ver antes da corrida, durante o desfile dos pilotos, que havia partes do asfalto faltando e que ele estava se deteriorando. Foi bem desagradável. Acho que pegou alguns pilotos de surpresa, obviamente, e não foi nada ideal”, explicou.
Segundo o alemão, o desgaste da superfície era perceptível ainda durante os eventos que antecederam a largada.
Piastri faz críticas duras à condição da pista
Quem demonstrou maior insatisfação foi Oscar Piastri.
O piloto da McLaren afirmou que as condições do trecho continuaram perigosas mesmo após a intervenção dos fiscais.
“A pista ainda estava inaceitável [para relargada]. Acho que todo mundo foi fechando a trajetória cada vez mais [após a relargada], porque, como vocês viram com Charles e Lance, se você passasse por cima daquilo, ou principalmente se colocasse o carro um pouco além daquela área, era como andar sobre gelo. Então, sim, esse tipo de situação simplesmente não deveria acontecer”, falou.

Alonso adota tom mais moderado
Fernando Alonso também comentou o episódio, mas preferiu uma abordagem menos crítica.
“No começo, achei que fossem apenas pedaços de borracha acumulados fora da trajetória. Eu via aquelas manchas pretas, aqueles detritos de borracha ou o que quer que fossem, na parte externa da pista, então tentávamos sempre manter uma linha mais por dentro”, disse.
“Mas, em determinado momento, aquilo estava espalhado por toda parte. Então, sinceramente, não foi nenhuma surpresa ver os acidentes acontecerem”, encerrou.
Ferrari explica estratégia adotada com Leclerc
Além dos problemas na pista, a Ferrari precisou responder às críticas envolvendo a condução estratégica da corrida.
Charles Leclerc ocupava uma posição favorável na luta pelo pódio quando a entrada do safety-car obrigou a equipe a realizar uma parada dupla.
Durante o procedimento, o monegasco precisou aguardar enquanto Lewis Hamilton cumpria uma punição de cinco segundos nos boxes.
Pouco tempo depois, Leclerc abandonou a corrida após o acidente na Antony Noghes.
Equipe admite prejuízo individual, mas defende decisão
O vice-chefe da Ferrari, Jérôme D’Ambrosio, reconheceu que a situação não foi ideal para o piloto da casa.
“Houve algumas discussões durante a corrida sobre isso. O risco é que, se você esperar enquanto o safety car-está na pista, você também pode acabar com o safety-car bem na sua frente e, então, você perde tudo completamente”, afirmou.
“Talvez aquela última parada não tenha sido 100% otimizada para ele pessoalmente. Mas, em retrospecto, é o que você tem que fazer como equipe. São essas decisões difíceis que claramente causaram a frustração dele”, seguiu.
Ferrari promete analisar problema nos freios
Leclerc também voltou a reclamar do comportamento dos freios durante o fim de semana em Monte Carlo.
Segundo D’Ambrosio, a equipe já iniciou uma investigação para entender o que aconteceu.
“Precisamos voltar à fábrica, analisar isso em detalhes e ver como queremos seguir em frente. O importante para nós é apoiar os pilotos para que tenham a sensação certa com o carro, e isso é algo que faremos nos próximos dias”, concluiu.
A Fórmula 1 retorna entre os dias 12 e 14 de junho para o GP de Barcelona, onde Ferrari e Leclerc terão uma nova oportunidade para deixar para trás os problemas enfrentados em Mônaco.