Lewis Hamilton voltou a cobrar mudanças internas na Ferrari depois de mais um episódio de tensão com Charles Leclerc. A disputa entre os dois no GP da Itália reacendeu a discussão sobre como a equipe administra seus pilotos e, principalmente, até onde eles podem ir quando estão brigando diretamente por posição.
Para o britânico, o problema não está apenas no incidente de Monza, mas na ausência de procedimentos claros que evitem que situações parecidas se repitam ao longo da temporada.
Hamilton contesta versão de Leclerc sobre incidente
Depois da corrida, Leclerc tratou o episódio como uma situação em que os dois haviam passado do limite.
Hamilton, porém, discordou dessa leitura.
O heptacampeão afirmou que estava à frente no ápice da Curva 2 e rejeitou a ideia de responsabilidade compartilhada naquele momento.
Segundo ele, seu estilo sempre foi baseado em disputas limpas, deixando espaço suficiente para o adversário.
A diferença de interpretação entre os dois aumentou ainda mais a pressão para que a Ferrari estabeleça critérios internos mais objetivos.

Ferrari não possui regras de conduta definidas
Hamilton apontou justamente esse ponto como uma das maiores diferenças em relação ao período que viveu na Mercedes.
Na equipe alemã, havia regras de conduta por escrito para orientar as disputas entre companheiros.
Mesmo durante os anos de forte rivalidade com Nico Rosberg, o britânico considera que esses procedimentos ajudavam a limitar os conflitos.
Na Ferrari, segundo Hamilton, esse tipo de documento não existe.
Para ele, isso abre espaço para interpretações diferentes em situações de corrida e pode gerar novos problemas quando os dois pilotos estão próximos na pista.
Hamilton cobra responsabilidade de Vasseur
O britânico também deixou claro que acredita que a mudança precisa partir da liderança da equipe.
Fred Vasseur, chefe da Ferrari, foi apontado como uma das figuras responsáveis por definir como essas situações devem ser administradas.
Hamilton afirmou que chegou a Maranello tentando respeitar a estrutura já existente e evitando colocar a equipe em risco.
Agora, porém, entende que apenas manter o mesmo procedimento pode levar aos mesmos resultados.
Por isso, espera uma revisão na forma como a Ferrari se comunica e toma decisões durante as corridas.
Discussão deve continuar internamente
Hamilton indicou que o assunto será tratado de maneira privada.
A intenção é discutir procedimentos e encontrar uma maneira diferente de conduzir disputas internas para evitar novos episódios semelhantes.
Apesar das críticas, ele também elogiou o trabalho realizado pela equipe na fábrica.
Na visão do britânico, o problema está mais na execução durante os finais de semana do que na qualidade do trabalho técnico.
Hamilton acredita que a Ferrari já mostrou capacidade para operar em um nível mais alto durante alguns momentos da temporada, mas ainda não consegue repetir isso com regularidade.
Brigas internas podem custar pontos importantes
A preocupação vai além de um simples contato entre companheiros.
Se Hamilton e Leclerc continuarem tirando pontos um do outro, a Ferrari pode ser prejudicada tanto no Mundial de Pilotos quanto no de Construtores.
Nesse segundo caso, a consequência também é financeira, já que a posição final no campeonato influencia a distribuição das receitas comerciais da Fórmula 1.
Com a temporada entrando em uma fase decisiva, administrar melhor os dois lados da garagem passa a ser uma prioridade.
Hamilton quer regras mais claras antes que uma nova disputa interna custe ainda mais pontos à Ferrari.