A divulgação dos primeiros dados relacionados ao ADUO movimentou os bastidores da Fórmula 1 durante o fim de semana do GP de Mônaco.
Embora a Ferrari apareça em uma posição que lhe permite realizar atualizações extras nos motores, Lewis Hamilton tratou de reduzir a empolgação em torno de uma possível recuperação imediata da equipe italiana.
O heptacampeão destacou que o desenvolvimento de uma unidade de potência é um processo complexo e que qualquer ganho de desempenho demanda meses de trabalho antes de aparecer efetivamente nas pistas.
O que é o ADUO na Fórmula 1?
O ADUO, sigla para Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização, foi criado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para equilibrar o desenvolvimento dos motores entre os fabricantes.
O sistema permite que montadoras que estejam em desvantagem técnica recebam créditos extras para trabalhar em melhorias e reduzir a diferença para os concorrentes.
A primeira avaliação oficial foi concluída após o GP do Canadá e trouxe um panorama inicial sobre a competitividade das unidades de potência que serão utilizadas nos próximos regulamentos da categoria.
Red Bull aparece na liderança do ranking
De acordo com informações divulgadas pelo portal GPblog, a unidade de potência desenvolvida pela parceria Red Bull-Ford foi considerada a referência do momento.
Logo atrás aparece a Mercedes, com um déficit estimado em 2%. Na sequência surge a Ferrari, cerca de 4% atrás da líder.
A Audi aparece em uma faixa de desvantagem entre 4% e 6%, enquanto a Honda ocupa a posição mais delicada do levantamento, com atraso estimado entre 6% e 8%.
Caso esses números sejam homologados pela FIA, Ferrari, Audi e Honda terão acesso a créditos adicionais de desenvolvimento para buscar uma aproximação em relação aos líderes.
Hamilton vê oportunidade, mas descarta resultados imediatos
Apesar de a Ferrari poder se beneficiar diretamente do sistema, Hamilton deixou claro que não espera uma mudança significativa em curto prazo.
“Saiu a informação de que a Red Bull tem o motor mais potente, seguida pela Mercedes. Depois estamos nós, mais atrás. Então agora temos esses créditos para tentar desenvolver o motor e diminuir a diferença”, afirmou Hamilton à emissora britânica Sky Sports.
O piloto explicou que o desenvolvimento de uma unidade de potência exige um longo período de trabalho, testes e validações antes de gerar qualquer impacto real no desempenho.
“É um projeto que leva entre oito e dez meses. Não é algo que possamos fazer simplesmente na próxima semana. Vamos trabalhar o máximo possível para entender como podemos reduzir essa diferença”, completou.
Ferrari poderá desenvolver mais que as rivais
A posição da Ferrari na primeira avaliação do ADUO abre uma oportunidade importante para a equipe italiana.
Com os créditos extras previstos pelo regulamento, a escuderia terá liberdade para realizar atualizações adicionais tanto para a temporada 2026 quanto para os projetos relacionados ao regulamento de motores que entrará em vigor nos próximos anos.
Mesmo assim, a declaração de Hamilton reforça que o caminho até alcançar Red Bull e Mercedes ainda deve ser longo.
Barcelona recebe a próxima etapa da temporada
A Fórmula 1 retorna às pistas entre os dias 12 e 14 de junho para a disputa do GP de Barcelona, sétima etapa do campeonato de 2026.
O circuito espanhol será o primeiro desafio após a divulgação dos dados preliminares do ADUO e também uma nova oportunidade para Ferrari, Mercedes e Red Bull medirem forças em um dos traçados mais completos do calendário.