O Jeep Compass continua ocupando uma posição de destaque entre os SUVs médios mais vendidos do Brasil.
No entanto, a concorrência ficou mais forte nos últimos meses. Modelos híbridos chineses ganharam espaço rapidamente, enquanto o Toyota Corolla Cross segue avançando com sua versão eletrificada.
Diante desse cenário, o Compass precisa mostrar que ainda tem argumentos suficientes para justificar seu preço.
Atualmente, a versão Longitude custa cerca de R$ 200 mil e aparece como uma alternativa mais acessível do que versões topo de linha de SUVs compactos como Volkswagen T-Cross Highline e Honda HR-V Touring.
Mas será que o consumo de combustível ajuda nessa missão?
Jeep Compass aposta no motor 1.3 turbo
Com o fim da versão diesel, o Jeep Compass passou a concentrar suas vendas em duas opções de motorização a gasolina e flex.
Na configuração Longitude, o SUV utiliza o conhecido motor 1.3 turbo flex, que recebeu uma recalibração para atender normas mais rígidas de emissões.
A potência caiu de 185 cv para 176 cv, enquanto o torque permaneceu em 27,5 kgfm. O conjunto trabalha ao lado do câmbio automático de seis marchas e precisa movimentar um veículo que pesa 1.585 kg.
Apesar da redução na potência, os números de consumo homologados não apresentaram evolução significativa.
Consumo oficial do Compass
Segundo os dados do Inmetro, o SUV registra:
• 10,4 km/l na cidade com gasolina
• 12,1 km/l na estrada com gasolina
• 7,1 km/l na cidade com etanol
• 8,7 km/l na estrada com etanol
Os números são razoáveis para a categoria, mas ficam distantes dos resultados obtidos por alguns rivais híbridos.

Consumo real na cidade fica abaixo da média oficial
Durante o uso urbano, a realidade mostrou números diferentes dos apresentados nos testes de laboratório.
Com gasolina no tanque e ar-condicionado ligado, o Compass percorreu pouco mais de 230 quilômetros em trânsito pesado e registrou média de 8,9 km/l.
O cenário envolveu congestionamentos frequentes e o tradicional anda e para das grandes cidades. Nessa situação, recursos como o sistema Auto Hold ajudam bastante ao reduzir o esforço do motorista.
Porém, o peso do veículo influencia diretamente no consumo. Para tirar o SUV da imobilidade, o motor frequentemente trabalha acima dos 2.500 rpm.
Além disso, a calibração do acelerador privilegia uma entrega mais progressiva de potência, o que acaba deixando as respostas menos imediatas em arrancadas e retomadas.
Na estrada o comportamento do Jeep Compass muda completamente
Se na cidade o consumo decepciona um pouco, na estrada o Compass mostra um desempenho mais convincente.
Durante um percurso de 233,5 quilômetros entre São Paulo e Elias Fausto, o computador de bordo chegou a registrar médias próximas de 15 km/l.
No entanto, após a medição completa do trajeto, o resultado real ficou em 12,4 km/l.
Mesmo assim, o SUV demonstrou uma dirigibilidade superior em velocidades mais altas. Acima dos 80 km/h, o conjunto trabalha com mais desenvoltura e transmite maior sensação de conforto ao volante.
As ultrapassagens acontecem com segurança e o motor mantém bom fôlego em subidas e retomadas.

Híbridos aumentam a pressão sobre o Compass
O principal desafio do Jeep Compass não está apenas no consumo absoluto, mas sim na comparação com os concorrentes atuais.
Modelos como o GWM Haval H6 HEV One já entregam médias urbanas de até 15,8 km/l sem necessidade de recarga externa.
Além disso, muitos híbridos contam com benefícios adicionais, como isenção de IPVA em alguns estados e liberação do rodízio em cidades como São Paulo.
Enquanto isso, a Jeep aposta em preços mais competitivos. Hoje, o Compass Longitude custa cerca de R$ 14 mil menos que um Honda HR-V Touring.
Vale a pena comprar o Jeep Compass?
O Jeep Compass continua sendo uma opção interessante para quem busca conforto, bom espaço interno e excelente comportamento rodoviário. Porém, quando o assunto é consumo, o SUV já não consegue acompanhar o avanço dos rivais híbridos.
Com médias reais de 8,9 km/l na cidade e 12,4 km/l na estrada, o modelo entrega resultados apenas razoáveis para a faixa de preço.
Por isso, a chegada da nova geração global, que já conta com versões híbridas e elétricas, pode ser fundamental para manter a competitividade do Compass nos próximos anos.