A Royal Enfield Bear 650 chega ao mercado brasileiro como uma scrambler de média cilindrada que aposta em estilo, versatilidade e custo competitivo.
O modelo combina proposta urbana com capacidade para encarar estradas, mas também apresenta limitações que precisam ser consideradas antes da compra.
Com preço entre R$ 33.990 e R$ 34.990, a novidade se posiciona como uma alternativa interessante dentro do segmento intermediário, entregando um conjunto técnico robusto e visual marcante.
Primeiras impressões: proposta equilibrada, mas com ressalvas

A Royal Enfield Bear 650 adota uma proposta clara: ser uma moto versátil, com foco maior no asfalto, mas sem abandonar a estética aventureira.
Com 214 kg em ordem de marcha, não é uma motocicleta leve, mas a distribuição de peso e o entre-eixos bem ajustado fazem com que ela pareça mais ágil do que outros modelos bicilíndricos da marca.
Na prática, isso se traduz em uma condução mais previsível e menos cansativa, especialmente em trajetos mistos.
Desempenho e números: motor forte e respostas consistentes
Motor e performance na prática
A Bear 650 utiliza um motor bicilíndrico de 648 cm³, que entrega cerca de 47 cv a 7.150 rpm e 5,7 kgfm de torque a 5.150 rpm.
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Na prática, o conjunto oferece boas arrancadas e retomadas, principalmente em vias rápidas. A relação final com coroa maior (40 dentes) reforça a sensação de força nas primeiras marchas.
Isso faz com que a moto tenha respostas mais imediatas em aceleração, superando a sensação de lentidão comum em modelos mais pesados.
Consumo e autonomia
O consumo médio registrado gira em torno de 22,5 km/l, número competitivo para a categoria.
Com tanque de 13,7 litros, a autonomia pode chegar a aproximadamente 300 km, dependendo do uso. Em comparação com motos maiores, é um ponto positivo para quem busca equilíbrio entre desempenho e custo.
Comportamento em diferentes cenários

Cidade: limitações no trânsito intenso
No ambiente urbano, a Bear 650 mantém comportamento neutro. Não decepciona, mas também não se destaca.
O porte e a largura dificultam a circulação em corredores e congestionamentos. Para quem enfrenta trânsito pesado diariamente, modelos menores continuam sendo mais indicados.
Por outro lado, em avenidas e vias expressas, o desempenho do motor compensa e garante segurança nas ultrapassagens.
Estrada: onde a moto realmente se destaca
É no asfalto que a Bear 650 mostra seu melhor lado. O motor entrega força com facilidade e a ciclística transmite confiança em velocidades mais altas.
As suspensões Showa ajudam a manter estabilidade e conforto, enquanto a posição de pilotagem ereta favorece viagens mais longas.
No entanto, acima de 120 km/h, pode surgir um leve movimento na dianteira, conhecido como “shimmy”, que exige atenção.
Terra: uso limitado ao básico
Apesar do visual scrambler, o uso fora de estrada é limitado. Em trechos leves de terra, a moto se comporta bem, principalmente com o ABS traseiro desligado.
Porém, a ergonomia não favorece a pilotagem em pé por muito tempo, e o conjunto não foi projetado para uso off-road intenso.
Pontos positivos que chamam atenção

✔️ Condução mais leve do que aparenta
Mesmo com mais de 200 kg, a moto transmite sensação de leveza na pilotagem.
Isso ocorre pela boa distribuição de peso e geometria bem resolvida.
✔️ Motor equilibrado e utilizável
O motor entrega torque em baixa e média rotação, ideal para uso real no dia a dia.
Não exige esforço constante para manter desempenho.
✔️ Conforto e ergonomia bem resolvidos
A posição de pilotagem é natural, com guidão e pedaleiras bem posicionados.
A embreagem assistida e deslizante também facilita o uso contínuo.
Pontos negativos que merecem atenção
❌ Pneus limitam desempenho no asfalto
Os pneus mistos MRF Nylorex prejudicam a aderência, principalmente em piso molhado.
Isso impacta diretamente a segurança em velocidades mais altas.
❌ Não é ideal para trânsito pesado
O tamanho e o peso dificultam a mobilidade em congestionamentos.
Para uso urbano intenso, existem opções mais práticas.
❌ Instabilidade em alta velocidade
O comportamento da dianteira acima de 120 km/h pode incomodar alguns pilotos.
Apesar de não ser crítico, é um ponto que exige atenção.
Vale a pena comprar a Royal Enfield Bear 650?
A Royal Enfield Bear 650 entrega um conjunto coerente dentro da proposta. Com bom desempenho, conforto e preço competitivo, se posiciona como uma opção interessante no segmento.
No entanto, não é uma moto universal. Funciona melhor para quem roda em vias rápidas, faz viagens e busca uma experiência mais prazerosa ao pilotar.
A Royal Enfield Bear 650 acerta ao oferecer estilo, desempenho equilibrado e custo competitivo, mas cobra atenção em alguns pontos, como pneus e uso urbano.
Se o objetivo é ter uma moto para estrada e uso moderado na cidade, ela faz sentido. Agora, para trânsito pesado ou uso off-road mais exigente, existem opções mais adequadas.


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