A Ford prepara uma nova etapa de sua eletrificação na Europa por meio de uma parceria com a Geely. O acordo prevê produção compartilhada na Espanha, aproveitamento da fábrica de Valência e desenvolvimento conjunto de um SUV elétrico inédito.
A estratégia permite que as duas empresas reduzam custos, ampliem a produção local e compartilhem conhecimentos técnicos. Enquanto isso, o complexo espanhol continuará fabricando um modelo atual da Ford sem interrupções.
Ford e Geely criam parceria para produzir elétricos
Ford e Geely anunciaram uma joint venture voltada à fabricação de carros elétricos em Valência, na Espanha. Como parte do acordo, a fabricante chinesa adquiriu 34% das ações da unidade industrial, que antes pertencia integralmente à Ford.
O primeiro passo será iniciar a produção do Geely EX5 até 2028. Depois, as duas empresas pretendem lançar outro SUV elétrico, ainda inédito, com desenvolvimento compartilhado e fabricação prevista para meados de 2030.
A Geely terá uma nova linha de montagem dentro do complexo. Ao mesmo tempo, a fabricação do Ford Kuga, atualmente o único veículo produzido no local, continuará normalmente.
Parceria resolve problemas das duas fabricantes
A fábrica de Valência operava abaixo de sua capacidade nos últimos anos. Dessa forma, a chegada da Geely ajuda a ocupar parte da estrutura disponível e reduz os prejuízos provocados pela ociosidade.
Para a marca chinesa, a produção local facilita sua atuação no mercado europeu. As regras para veículos importados da China ficaram mais restritivas, tornando necessário buscar parceiros com fábricas já instaladas na região.
A Geely não enviará trabalhadores chineses para a unidade. Toda a equipe será europeia, com funcionários compartilhados entre as operações das duas marcas.
As negociações começaram em fevereiro e foram concluídas neste mês. O relacionamento antigo entre as empresas também favoreceu o acordo. Em 2010, a Ford vendeu a Volvo para a Geely, criando um canal de diálogo que permaneceu ativo ao longo dos anos.

Modelo repete estratégia adotada no Brasil
O formato lembra a operação criada pela Geely com a Renault no mercado brasileiro. Nesse acordo, a empresa chinesa comprou 26% da Renault Geely do Brasil.
A parceria permite que a Geely utilize a fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, para produzir seus primeiros veículos elétricos nacionais sem construir uma unidade industrial do zero.
Em Valência, a lógica será semelhante. A fabricante aproveita uma estrutura existente, enquanto a Ford aumenta a utilização da planta e divide investimentos ligados à eletrificação.
Espanha atrai outras marcas chinesas
A Espanha possui a segunda maior indústria automotiva da Europa, atrás apenas da Alemanha. Além disso, os custos de energia e mão de obra são menores que os registrados na indústria alemã.
Por isso, outras fabricantes chinesas também observam o país. A Leapmotor utilizará uma fábrica da Stellantis em Zaragoza, enquanto a BYD procura uma unidade ociosa para começar sua produção local.
Ford também trabalha com a Renault
Em dezembro de 2025, Ford e Renault anunciaram outra parceria na Europa. Nesse caso, a Renault fornecerá sua plataforma elétrica para novos modelos da fabricante americana.
A base Ampr EV dará origem a uma nova geração do Ford Fiesta, modelo encerrado em 2023 após oito gerações. O hatch será produzido na França ao lado do Ford Puma Gen-E.
Em contrapartida, a Ford ficará responsável por desenvolver uma nova plataforma de vans comerciais. Dela deverão surgir as próximas gerações de Renault Master e Ford Transit.
Com as alianças firmadas com Geely e Renault, a Ford amplia sua presença elétrica sem concentrar todos os investimentos em projetos próprios. O novo SUV compartilhado previsto para 2030 será um dos resultados mais importantes dessa estratégia.