As motos de trabalho seguem sendo peças fundamentais para milhares de profissionais que dependem da mobilidade urbana diariamente. No entanto, um levantamento recente mostra que esses veículos continuam despertando atenção indesejada nas ruas da Região Metropolitana de São Paulo.
Embora os números gerais tenham apresentado melhora nos primeiros meses de 2026, alguns dados revelam mudanças importantes no comportamento dos criminosos. Além disso, o estudo aponta tendências que ajudam a compreender quais modelos estão mais expostos e como os crimes vêm ocorrendo.
Motos utilizadas para trabalho continuam entre as mais visadas

Mesmo com a redução das ocorrências em relação ao ano anterior, as motocicletas utilizadas por entregadores e profissionais de aplicativos permanecem entre os principais alvos.
Segundo o levantamento, os registros envolvendo motos de até 499 cilindradas caíram de 6.876 para 5.451 casos na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Ainda assim, o volume permanece elevado.
Além disso, a maior parte dos modelos presentes no ranking é amplamente utilizada no trabalho diário. Dessa forma, os criminosos continuam concentrando suas ações justamente nos veículos que possuem maior circulação nas cidades.
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Honda CG mantém liderança absoluta
A Honda CG 160 aparece novamente na primeira posição entre os modelos com mais registros.
Mesmo registrando queda de aproximadamente 19% em comparação ao mesmo período do ano anterior, a motocicleta segue isolada na liderança. Afinal, trata-se de um dos modelos mais vendidos e utilizados do país.
Confira os dez modelos com mais ocorrências registradas no primeiro trimestre de 2026:
- Honda CG 160 – 1.968 casos
- Honda CG 150 – 247 casos
- Honda XRE 300 – 201 casos
- Yamaha XTZ 250 – 186 casos
- Yamaha Fazer 250 – 183 casos
- Honda CB 300 Twister – 166 casos
- Honda PCX 150 – 161 casos
- Honda NXR 160 Bros – 138 casos
- TVS Sport 110 – 137 casos
- Honda CG 125 – 126 casos
Além disso, quando os números das versões CG 160, CG 150 e CG 125 são somados, o total ultrapassa 2,3 mil ocorrências. Portanto, a família CG continua dominando o levantamento.
Novo modelo entra no radar dos criminosos
Entretanto, a principal novidade do ranking é a presença da TVS Sport 110. Nos últimos anos, esse modelo ganhou espaço principalmente entre entregadores. Isso aconteceu porque diversas empresas passaram a oferecer programas de locação voltados ao trabalho urbano.
Consequentemente, o aumento da frota pode ter contribuído para a entrada da motocicleta entre os modelos mais visados. Ao mesmo tempo, o dado sugere uma adaptação das quadrilhas às mudanças do mercado.
Por outro lado, os modelos tradicionais continuam aparecendo entre os principais alvos. Entre eles estão CG, Bros, XRE, Fazer, XTZ e PCX.
Furtos ganham espaço e roubos perdem participação

Outro ponto que chama atenção é a mudança no perfil das ocorrências. Enquanto os roubos perderam participação, os furtos passaram a representar a maior parte dos casos registrados.
Segundo o estudo, os furtos responderam por 74,35% das ocorrências durante o primeiro trimestre de 2026. Já os roubos corresponderam a 25,65%.
No mesmo período de 2025, os furtos representavam 67,52% dos registros. Portanto, houve crescimento significativo dessa modalidade.
Dessa forma, os dados indicam que os criminosos estão optando por ações que envolvem menor risco de confronto. Além disso, essa estratégia reduz a exposição durante a prática do crime.
Santo Amaro assume a liderança entre os bairros
Quando o levantamento analisa a distribuição geográfica dos casos, algumas regiões se destacam.
Santo Amaro lidera o ranking dos bairros com mais registros. Enquanto isso, áreas tradicionalmente presentes nesse tipo de estudo aparecem logo na sequência.
Os dez bairros com maior número de ocorrências foram:
- Santo Amaro – 117 registros
- Barra Funda – 80 registros
- Tatuapé – 74 registros
- Santana – 73 registros
- Freguesia do Ó – 61 registros
- Capão Redondo – 59 registros
- Campo Limpo – 58 registros
- Jardim São Luís – 54 registros
- Grajaú – 53 registros
- Área Rural – 51 registros
Além disso, a Zona Sul continua concentrando parte expressiva dos casos. Entre os destaques estão Santo Amaro, Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim São Luís e Grajaú.
Motos de alta cilindrada apresentam cenário diferente
Enquanto as motos populares concentram a maioria dos furtos, o comportamento observado nas motocicletas acima de 500 cilindradas é diferente.
Segundo o levantamento, as ocorrências nesse segmento caíram de 669 para 406 casos. Ainda assim, a natureza dos crimes permanece distinta.
Nesse grupo, os roubos representam 64,78% dos registros. Já os furtos respondem por 35,22%. Além disso, existe uma diferença importante em relação aos dias da semana.
Nas motos de trabalho, os registros costumam se concentrar entre quarta-feira e sexta-feira. Em contrapartida, as motocicletas de alta cilindrada registram maior incidência durante os finais de semana.
Sobretudo aos domingos, o fluxo de motociclistas aumenta por causa de viagens, passeios e atividades de lazer. Consequentemente, a exposição desses veículos também cresce.
O que os números mostram para os motociclistas
Embora o total de ocorrências tenha diminuído em 2026, as motos de trabalho continuam sendo os veículos mais visados na Região Metropolitana de São Paulo.
Além disso, o levantamento mostra que os criminosos acompanham as mudanças do mercado e passam a mirar novos modelos à medida que eles ganham espaço nas ruas.
Por fim, os dados reforçam a existência de dois cenários distintos. De um lado estão as motocicletas populares utilizadas diariamente para trabalho e deslocamento urbano. Do outro, aparecem os modelos de maior valor agregado, que continuam atraindo ações mais seletivas e, muitas vezes, mais arriscadas.