Marc Márquez voltou a colocar a segurança de Assen no centro do debate da MotoGP após um fim de semana marcado por quedas fortes e preocupação entre os pilotos.
Embora o circuito holandês seja um dos mais tradicionais do calendário, o espanhol entende que alguns pontos da pista já não acompanham a velocidade atual das motos.
A principal crítica envolve as áreas de escape, especialmente os trechos com brita. Para Márquez, o problema não está apenas nas quedas, mas na forma como os pilotos reagem ao chegar nessas zonas em alta velocidade.
Alerta de Márquez acende discussão em Assen

O GP dos Países Baixos deixou a segurança em evidência. Durante os treinos e a corrida, nomes como Fermín Aldeguer, Álex Márquez, Jorge Martín e Marco Bezzecchi sofreram acidentes que chamaram atenção no paddock.
No caso de Bezzecchi, a queda aconteceu logo no início da prova, na curva 15. O piloto da Aprilia perdeu o controle da moto, passou pela brita e precisou ser encaminhado ao hospital para exames. A cena reforçou a cobrança de Marc Márquez por mudanças.
Segundo o espanhol, Assen continua sendo uma pista muito boa, porém precisa evoluir nas áreas de escape. Ele destacou que, quando um piloto chega à brita em alta velocidade, o corpo não desacelera de forma segura. Pelo contrário, começa a saltar e rolar.
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Brita vira ponto crítico para a MotoGP
A preocupação de Marc Márquez não surgiu apenas depois da corrida. Ainda na sexta-feira, o piloto já havia citado o tamanho das pedras usadas nas caixas de brita do circuito. Para ele, o material atual pode ampliar o impacto em acidentes aparentemente comuns.
Além disso, o caso de Fermín Aldeguer reforçou essa avaliação. O jovem piloto se machucou em uma queda considerada normal, mas a passagem pela brita agravou a situação. Portanto, a discussão vai além de um único acidente.
Márquez cobrou uma análise mais profunda da organização e da Comissão de Segurança. Na visão dele, a MotoGP precisa entender o que pode ser feito para reduzir esse efeito de “catapulta” quando os pilotos escapam da pista.
Luca Marini reforça preocupação com muro

Luca Marini também entrou no debate e apontou outro problema: a proximidade do muro em determinados pontos de Assen. Para o piloto da Honda, Bezzecchi teve sorte por não atingir a barreira após a queda.
Marini explicou que a velocidade de contorno das motos atuais torna qualquer erro mais perigoso. Consequentemente, uma área de escape que parecia suficiente no passado pode não funcionar da mesma forma com os protótipos modernos.
O italiano concordou com Marc Márquez sobre a necessidade de rever a brita. No entanto, ele também sugeriu alternativas, como mais espaço livre e combinações diferentes de piso, grama e áreas sem cascalho.
Acidente de Jorge Martín serve como comparação
Marini citou o acidente de Jorge Martín na curva 12 como exemplo de solução mais eficiente. Nesse caso, sem brita no trecho, o piloto não saltou nem rolou de forma violenta.
A comparação mostra que a MotoGP pode precisar estudar cada curva de forma individual. Afinal, nem toda área de escape exige a mesma configuração. Em pontos de alta velocidade, a brita pode frear a moto, mas também pode transformar a queda do piloto em uma sequência de impactos.
Além da curva 15, Marini também mencionou a curva 7 como um trecho que merece atenção. Assim, o debate deve voltar à pauta da Comissão de Segurança nas próximas etapas.
Motos de 850cc não devem resolver o problema
A partir de 2027, a MotoGP adotará motos de 850cc, mas Marini não acredita que isso elimine a preocupação em Assen. Para ele, mesmo categorias menos potentes, como a Moto2, poderiam enfrentar risco semelhante em algumas curvas.
Ou seja, o problema não depende apenas da potência das motos. A posição dos muros, o desenho das áreas de escape e o tipo de material usado também pesam diretamente na segurança dos pilotos.
Com isso, o alerta de Marc Márquez ganha força dentro do paddock. A MotoGP volta à pista entre os dias 10 e 12 de julho, no GP da Alemanha, em Sachsenring. Até lá, Assen deixa uma discussão clara: tradição não pode impedir ajustes quando a segurança dos pilotos está em jogo.