F1: Binotto quer mudar regra que pode beneficiar Audi e agita bastidores

A Audi ainda nem estreou oficialmente na nova era de motores da Fórmula 1, mas já participa de um dos debates mais importantes envolvendo o futuro da categoria.

Desta vez, o assunto gira em torno das regras que permitem concessões técnicas para fabricantes de unidades de potência que enfrentam dificuldades de desempenho.

O tema ganhou destaque após uma avaliação recente da FIA provocar surpresa entre equipes e especialistas. Em meio às discussões, Mattia Binotto apresentou uma proposta que pode alterar a forma como essas vantagens são distribuídas nos próximos anos.

Avaliação da FIA movimenta o paddock

A polêmica começou depois que a FIA concluiu que a unidade de potência desenvolvida pela Red Bull Powertrains em parceria com a Ford é atualmente a mais eficiente entre os fabricantes avaliados.

O resultado chamou atenção porque superou a Mercedes nos critérios analisados. Além disso, a metodologia utilizada pela entidade considerou apenas o desempenho do motor a combustão, sem incluir a participação dos sistemas elétricos na comparação.

A decisão reacendeu discussões sobre a eficácia do chamado ADUO, mecanismo criado para ajudar fabricantes que estejam em desvantagem técnica a reduzir a diferença para os concorrentes.

O que é o sistema ADUO

O ADUO funciona como uma ferramenta de equilíbrio dentro do regulamento das unidades de potência. Na prática, ele oferece oportunidades extras de desenvolvimento para fabricantes que apresentam desempenho inferior em determinados parâmetros técnicos.

A intenção é evitar que uma única marca abra vantagem excessiva sobre as demais durante o ciclo regulamentar.

No entanto, alguns dirigentes entendem que o modelo atual pode ser aprimorado para alcançar resultados mais eficientes no longo prazo.

Foto: XPB Images

Proposta de Binotto mira modelo já usado nos carros

Durante as atividades realizadas em Barcelona, Binotto afirmou que respeita totalmente a avaliação feita pela FIA. Ainda assim, o dirigente acredita que existe espaço para discutir uma abordagem diferente.

“Se o princípio do ADUO baseado em quilowatts é a abordagem correta, isso pode ser debatido”, afirmou.

Segundo ele, a Fórmula 1 já possui um sistema semelhante aplicado ao desenvolvimento dos chassis, utilizando critérios ligados ao desempenho esportivo das equipes.

Binotto lembrou que as equipes com pior colocação no campeonato recebem benefícios técnicos importantes ao longo da temporada.

“Existe um sistema semelhante para o chassi. Se você está atrás na classificação, tem mais oportunidades no túnel de vento e em outras áreas. Essa é uma forma de aproximar as equipes”, explicou.

Audi defende critérios baseados no campeonato

Na visão do dirigente italiano, o mesmo conceito poderia ser utilizado para as unidades de potência.

Em vez de depender exclusivamente da análise de desempenho técnico dos motores, as concessões poderiam ser distribuídas levando em consideração os resultados obtidos pelas fabricantes em temporadas anteriores.

“Talvez devêssemos fazer algo muito parecido com o que acontece com os chassis, baseando tudo na classificação das temporadas anteriores. Se o objetivo é a convergência e ter um grid mais equilibrado, talvez essa seja a forma mais simples de fazer isso”, acrescentou.

A proposta surge justamente em um momento importante para a Audi, que trabalha na preparação de sua entrada oficial como equipe de fábrica na Fórmula 1.

Binotto reforça confiança na FIA

Apesar das críticas ao modelo atual, Binotto deixou claro que não questiona a condução da entidade máxima do automobilismo.

O dirigente afirmou confiar plenamente na análise realizada pela FIA e destacou que qualquer mudança deve acontecer apenas através de futuras discussões regulatórias.

“Essa é a forma como o regulamento está escrito hoje e acredito que precisamos confiar totalmente na FIA. Tenho certeza de que a FIA fez a avaliação correta. O que devemos fazer no futuro? Devemos estabelecer um tipo diferente de classificação? Talvez sim”, concluiu.

Com a chegada do novo regulamento de motores cada vez mais próxima, o debate promete ganhar força nos bastidores e pode influenciar diretamente o equilíbrio competitivo da Fórmula 1 nos próximos anos.

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