DFM desembarca no Brasil e promete linha ampla para enfrentar BYD e GWM

A DFM estreia oficialmente no mercado brasileiro com uma estratégia bem maior do que simplesmente importar dois carros elétricos. A fabricante chinesa começa sua operação com Box e Vigo, mas já confirmou uma família de híbridos, modelos premium da Voyah e até SUVs de proposta off-road da M-Hero.

As primeiras entregas estão previstas para outubro, quando também começam a funcionar as concessionárias. Antes disso, a DFM abrirá a pré-venda e divulgará os preços dos dois lançamentos. A marca ainda estuda produzir veículos localmente a partir de 2027 e prepara uma rede capaz de alcançar 21 estados e o Distrito Federal.

DFM começa com Box e Vigo

A sigla DFM será utilizada no Brasil como uma forma mais simples de identificar a Dongfeng Motor.

Os dois primeiros modelos comercializados serão o DFM Box e o DFM Vigo, ambos elétricos e posicionados em categorias que já recebem forte presença das fabricantes chinesas.

O Box terá a missão de disputar consumidores entre os elétricos compactos, enquanto o Vigo entra no segmento de SUVs elétricos.

A loja online da marca será apresentada em 27 de agosto, mas as vendas não começam imediatamente.

A pré-venda será aberta nas semanas seguintes, momento em que também deverão ser conhecidos os preços.

Já as primeiras entregas estão previstas para outubro.

Primeiro lote da DFM terá cerca de 300 carros

A DFM pretende trazer aproximadamente 300 veículos para o Brasil até o final de setembro.

Esse primeiro lote será utilizado justamente para abastecer o início da operação comercial.

A estratégia digital também será importante nessa fase.

A pré-venda acontecerá por meio de uma plataforma no Mercado Livre, caminho semelhante ao adotado por outras marcas chinesas que já atuam no país.

Ao mesmo tempo, a fabricante prepara uma estrutura física bastante ampla para uma empresa que está apenas começando sua trajetória nacional.

DFM terá presença em 21 estados

A rede de concessionárias é uma das áreas em que a empresa pretende acelerar desde o começo.

Atualmente, 47 lojas já estão preparadas para iniciar as atividades, enquanto outros 60 pontos de venda estão em estágio avançado de implantação.

A fabricante afirma possuir acordos com 32 grupos empresariais do setor automotivo.

Quando a expansão prevista for concluída, a marca terá presença em 21 estados brasileiros e também no Distrito Federal.

Esse ponto será particularmente importante para enfrentar BYD e GWM, que ampliaram rapidamente suas redes depois de intensificarem suas operações no país.

Estratégia da DFM segue modelo de várias submarcas

A DFM também não pretende concentrar toda a operação em uma única identidade.

Sua estrutura brasileira será dividida entre diferentes linhas.

A própria DFM ficará responsável pelos veículos urbanos e comerciais, enquanto a Voyah terá posicionamento premium.

Já a M-Hero será utilizada para produtos mais robustos e com vocação aventureira.

A lógica se aproxima do que já acontece com outras fabricantes chinesas.

A BYD, por exemplo, separa seus produtos de luxo por meio da Denza. A GWM, por outro lado, reúne diferentes linhas como Haval, Tank, Poer, Wey e Ora.

Voyah terá SUVs e sedã híbrido

A divisão premium já possui vários modelos previstos para o mercado brasileiro.

Entre os SUVs confirmados estão Voyah Free, Taishan PHEV, Dream PHEV e Courage PHEV.

A linha também terá o Passion PHEV, um sedã médio eletrificado.

Ainda não há uma programação detalhada de lançamento para cada modelo, nem preços definidos.

A confirmação antecipada, porém, deixa claro que a DFM pretende ocupar faixas superiores do mercado e não depender apenas de carros elétricos mais acessíveis.

M-Hero será a aposta entre os off-road

Outra frente será a divisão M-Hero.

A empresa confirmou os M-Hero 1 e M-Hero 2 para sua estratégia brasileira.

A proposta dessa submarca será diferente daquela adotada pelos modelos urbanos da DFM, concentrando-se em veículos aventureiros e de posicionamento mais elevado.

Dessa forma, a Dongfeng prepara um portfólio capaz de atuar desde carros compactos até modelos de maior valor agregado.

Mage e Huge ampliam linha híbrida

Mesmo dentro da própria DFM, Box e Vigo serão apenas o começo.

A fabricante também confirmou os Mage PHEV e Huge PHEV, dois utilitários híbridos plug-in de perfil urbano.

Ainda não foram anunciadas datas de lançamento ou preços.

A chegada desses modelos será importante para ampliar a participação da marca além dos veículos totalmente elétricos, especialmente em um momento no qual os híbridos ganham cada vez mais espaço no mercado nacional.

Garantia chega a sete anos ou 300 mil km

A DFM pretende utilizar uma garantia longa como um dos argumentos para conquistar compradores.

Os veículos da marca terão sete anos ou 300 mil km de cobertura, enquanto os componentes do sistema elétrico contarão com garantia de oito anos.

No comparativo apresentado pela empresa, a cobertura supera os limites atuais de algumas concorrentes.

A BYD trabalha com seis anos ou 200 mil km para o veículo, embora determinados componentes tenham condições diferentes. A Geely oferece seis anos ou 150 mil km, enquanto a GWM utiliza cinco anos ou 200 mil km.

Para uma fabricante estreante, uma garantia extensa pode ajudar a reduzir a insegurança do consumidor diante de uma marca ainda pouco conhecida no país.

Produção brasileira pode começar em 2027

A próxima etapa poderá ser ainda mais importante.

A Dongfeng negocia com Stellantis e Nissan uma possível parceria para produção local.

Segundo a companhia, uma definição precisa acontecer até o final de 2026 para permitir que uma operação em regime CKD comece, inicialmente em fase de testes, durante 2027.

Nenhum acordo foi fechado até agora.

Caso avance, porém, a produção brasileira reduziria a dependência de veículos totalmente importados e poderia ampliar a competitividade da DFM no médio prazo.

Com Box e Vigo chegando primeiro, mais de 100 pontos de venda entre unidades prontas e em implantação, garantia de sete anos e várias submarcas já confirmadas, a DFM entra no Brasil mostrando que seus planos não são pequenos.

O desafio será transformar uma gama extensa e uma rede ambiciosa em força suficiente para enfrentar BYD, GWM e as outras chinesas que chegaram antes.

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