F1: estratégia da Ferrari gera desabafo de Hamilton em Zandvoort

A estratégia da Ferrari voltou a virar assunto após o GP da Holanda de Fórmula 1. Lewis Hamilton terminou em quarto, logo à frente de Charles Leclerc, mas saiu de Zandvoort incomodado com algumas decisões tomadas pela equipe durante a corrida.

Os momentos de maior tensão apareceram quando Hamilton ficou preso atrás do companheiro e, depois, quando permaneceu muitas voltas na pista com pneus desgastados sem entender exatamente o plano da Ferrari. Fred Vasseur reconheceu que a execução poderia ter sido melhor e explicou por que a equipe evitou revelar parte da estratégia pelo rádio.

Hamilton ficou preso atrás de Leclerc

A primeira situação delicada aconteceu no meio da prova.

Hamilton havia conseguido ultrapassar Oscar Piastri pela quinta posição e começou a se aproximar rapidamente de Leclerc.

O problema é que o monegasco estava mais lento naquele momento, enquanto Zandvoort oferece poucas oportunidades claras de ultrapassagem.

Hamilton pediu ajuda da equipe para passar.

A Ferrari, porém, não ordenou imediatamente a troca de posições.

O resultado foi um rádio carregado de ironia do britânico, que reclamou da perda de tempo enquanto os carros da frente conseguiam ampliar a vantagem.

A situação também teve impacto direto na possibilidade de Hamilton aproximar-se do grupo do pódio.

Foto de: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images

Ferrari esperava pit stop de Leclerc

A explicação apresentada depois da corrida é que a equipe esperava que Leclerc entrasse nos boxes.

Por isso, não considerava tão simples mandar os pilotos inverterem posições em plena reta e, logo depois, chamar um deles para o pit stop.

Leclerc acabou realizando sua segunda parada na volta 43, uma volta depois do previsto inicialmente.

Com isso, Hamilton finalmente ganhou pista livre e assumiu a quarta colocação.

O britânico, porém, imaginava que também seria chamado aos boxes pouco depois.

Não foi o que aconteceu.

Hamilton ficou 30 voltas no segundo stint

Enquanto boa parte dos adversários colocava pneus novos, a Ferrari decidiu manter Hamilton na pista.

O segundo stint acabou chegando a 30 voltas, permitindo que o heptacampeão assumisse até a liderança temporariamente.

Só que os carros que vinham atrás estavam com pneus mais novos.

Lando Norris e Kimi Antonelli começaram a reduzir rapidamente a diferença.

Na volta 53, os três já estavam separados por menos de um segundo.

Sem saber exatamente por que seguia na pista, Hamilton voltou a questionar a equipe pelo rádio.

Pouco depois, Norris passou o piloto da Ferrari na volta 54, enquanto Antonelli fez o mesmo uma volta mais tarde.

Vasseur explica por que Ferrari não contou o plano

Fred Vasseur explicou que a Ferrari pretendia levar Hamilton até o fim sem uma segunda troca de pneus.

O problema é que a equipe não quis informar isso claramente pelo rádio naquele momento.

Segundo o chefe da Ferrari, havia receio de que os concorrentes percebessem qual era o plano e adaptassem suas próprias estratégias.

A ideia, portanto, era manter o britânico na pista até a bandeirada.

Vasseur acredita que, olhando apenas para o planejamento, a decisão tinha potencial para funcionar.

O problema foi a forma como tudo aconteceu.

Hamilton não sabia qual era a estratégia e teve de administrar uma situação que parecia cada vez menos favorável.

Safety car virtual mudou o cenário

A estratégia acabou sendo interrompida na volta 55.

Um safety car virtual provocado por Esteban Ocon abriu uma oportunidade para Hamilton finalmente trocar os pneus.

Ele deixou os compostos duros e recebeu um jogo novo de macios.

Nesse momento, porém, parte do ganho potencial já havia desaparecido.

Norris e Antonelli já haviam conseguido ultrapassá-lo antes da neutralização.

Hamilton terminou a prova em quarto, enquanto Leclerc cruzou a linha logo atrás, na quinta posição.

Foi a segunda corrida consecutiva em que a Ferrari ficou fora do pódio.

Ferrari admite falhas na execução

Depois da prova, Hamilton pediu uma execução melhor da equipe.

O britânico chegou a utilizar sua antiga equipe, a Mercedes, como exemplo de uma operação que precisa funcionar de maneira mais precisa durante as corridas.

A avaliação de Vasseur seguiu uma linha semelhante.

O dirigente reconheceu que a execução da Ferrari não foi tão boa quanto deveria.

Também destacou a dificuldade para entender o comportamento dos pneus em Zandvoort.

As diferenças entre compostos foram pequenas, enquanto diferentes equipes experimentaram estratégias variadas.

Isso tornou as decisões menos óbvias durante a corrida.

Pódio poderia ter sido possível?

Hamilton acredita que o tempo perdido atrás de Leclerc e a demora nas decisões estratégicas reduziram suas possibilidades de brigar pelo pódio.

Vasseur também reconheceu que, olhando a corrida depois de encerrada, algumas escolhas poderiam ter sido feitas de forma diferente.

A principal falha, segundo o chefe da Ferrari, não foi necessariamente tentar prolongar o stint.

O problema foi não informar Hamilton de que a intenção era levá-lo até o final sem outra parada.

A comunicação deixou o piloto sem uma visão clara do que a equipe pretendia fazer.

No fim, a Ferrari conseguiu colocar os dois carros entre os cinco primeiros, mas Zandvoort deixou novamente a sensação de que havia espaço para um resultado melhor.

Para Hamilton, a velocidade não foi o único problema. A execução da estratégia também precisará melhorar se a equipe quiser voltar a disputar pódios com mais frequência.

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