Honda e Nissan voltaram a negociar uma parceria. A Honda tenta reduzir custos depois de encerrar o ano fiscal de 2025 com prejuízo bilionário, enquanto a Nissan também busca alternativas para melhorar sua operação. Agora, a conversa não envolve fusão, mas colaboração para dividir investimentos.
Honda e Nissan avançam em novo acordo
Em reunião com acionistas, o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou que a parceria com a Nissan está perto de ser fechada. O executivo não detalhou o contrato, porém indicou que as empresas discutem os últimos pontos antes da assinatura.
A ideia é dividir custos de pesquisa, desenvolvimento e produção. Em uma indústria pressionada por eletrificação, tecnologia embarcada e margens apertadas, trabalhar sozinha ficou mais caro. Por isso, Honda e Nissan enxergam na colaboração uma forma de proteger caixa.
Diferente do que quase aconteceu em 2025, o acordo não deve criar uma nova empresa. A negociação caminha para uma parceria pontual, com projetos compartilhados e independência entre as marcas.
Fusão travou por disputa de comando
As conversas entre Honda e Nissan não começaram agora. Em 2024, surgiram rumores sobre uma possível fusão entre as marcas. Caso avançasse, a união poderia formar o terceiro maior grupo automotivo do mundo.
No entanto, o plano travou por causa da estrutura de comando. A Nissan defendia uma participação equilibrada no novo grupo. Já a Honda sugeriu que a concorrente se tornasse uma subsidiária.
A proposta desagradou a Nissan, que considerou o formato inaceitável. Com isso, a fusão foi encerrada oficialmente em fevereiro de 2025.
Novo SUV pode abrir a colaboração
Embora nada tenha sido confirmado oficialmente, informações da imprensa japonesa apontam que Honda e Nissan podem trabalhar juntas em um SUV médio e em um crossover.
A proposta seria criar uma base compartilhada para as duas fabricantes. Assim, cada marca poderia desenvolver modelos próprios, mas com parte da engenharia em comum.
Crise da Honda muda prioridades
A Honda fechou o ano fiscal de 2025, encerrado em março, com prejuízo pela primeira vez em 70 anos. Desde que abriu capital na bolsa, em 1957, a montadora nunca havia terminado um balanço no vermelho.
O resultado negativo está ligado à reestruturação dos carros elétricos. A marca cancelou três projetos globais: Honda 0 SUV, Honda 0 Saloon e Acura RSX.
O impacto chegou a US$ 9 bilhões, cerca de R$ 45,8 bilhões. Já o prejuízo fiscal foi de R$ 13,4 bilhões. A operação de motocicletas, puxada por Índia e Brasil, ajudou a reduzir o tombo.
Híbridos ganham prioridade
A Honda quer concentrar esforços nos híbridos. A marca prepara 15 lançamentos até 2030, com foco em América do Norte, Japão e Índia.
Entre os projetos estão o Hybrid Sedan Prototype, que dará origem ao novo Civic, e o Acura Hybrid SUV Prototype. Além disso, a Honda promete sistema híbrido 30% mais barato de produzir e 10% mais econômico.
A parceria entre Honda e Nissan mostra uma mudança de estratégia. Sem fusão, as marcas tentam dividir custos, acelerar projetos e enfrentar um mercado difícil.