A CG 160 volta ao centro das atenções no mercado brasileiro de duas rodas. Em um cenário que mistura desaceleração de vendas e mudanças no comportamento do consumidor, os números mais recentes revelam movimentos importantes, embora nem todos sejam positivos.
Ainda assim, o que chama atenção não é apenas quem lidera, mas como o restante do mercado reagiu ao longo de abril.
CG 160 mantém folga confortável no topo

A CG 160 segue na liderança com ampla vantagem. Foram 29.448 unidades vendidas até o dia 21 de abril de 2026, o que garante uma distância considerável para as demais colocadas.
Apesar disso, houve recuo de -5,5% em relação ao mesmo período de março. Ainda assim, o volume absoluto mostra que a moto continua dominante no mercado nacional.
Além disso, no acumulado do ano, o modelo já soma 151.239 unidades, reforçando sua consistência comercial.
Disputa pelo segundo lugar perde ritmo

Logo atrás, o cenário já muda de intensidade. A disputa entre os modelos mais acessíveis da Honda apresenta queda generalizada.
A Honda Biz aparece na segunda posição com 14.493 unidades, porém com retração de -14,1%.
Na sequência, a Honda Pop 110i registra 14.423 unidades e queda de -9,9%.
Ou seja, mesmo com volumes próximos, ambas perderam força no comparativo mensal.
Segmento intermediário mostra sinais de retração

Na quarta posição, a Honda NXR 160 alcança 10.653 unidades, com queda de -6,9%.
Esse movimento indica que, embora ainda exista demanda, o segmento intermediário também enfrenta redução no ritmo de vendas.
Por outro lado, um destaque positivo surge no top 5.
Mottu cresce e quebra sequência negativa
Enquanto a maioria recua, a Mottu Sport 110i segue na contramão.
O modelo registra 7.043 unidades vendidas e crescimento de 6,4% em relação a março.
Esse avanço chama atenção porque contrasta diretamente com o desempenho das líderes, mostrando que há espaço para crescimento em nichos específicos, especialmente no uso profissional.
Ranking completo revela pressão generalizada

Embora os primeiros colocados concentrem o maior volume, os dados do ranking completo reforçam uma tendência clara: queda em praticamente todo o mercado.
Entre os destaques:
- Yamaha YBR 150: 4.055 unidades (-12,0%)
- Honda CB 300F: 3.785 unidades (-10,4%)
- Honda XRE 190: 3.103 unidades (-12,5%)
- Honda PCX 160: 3.079 unidades (-4,7%)
- Yamaha Fazer 250: 2.488 unidades (-9,6%)
Além disso, modelos como Honda Elite 125 (-19,9%) e Yamaha Fazer 150 (-17,2%) registram quedas ainda mais acentuadas.
Ou seja, o movimento de retração não está isolado — ele se espalha por diferentes categorias.
Scooters e trails seguram parte da demanda
Mesmo com o cenário mais pressionado, alguns segmentos mostram maior resiliência.
Scooters como a Yamaha NMAX (-0,9%) e a Yamaha Aerox 160 (-3,9%) apresentam quedas menores.
Além disso, modelos trail e aventureiros continuam relevantes, como a Honda XRE 300, com 2.488 unidades (-4,6%).
Isso sugere que o consumidor ainda busca versatilidade e conforto, mesmo em um momento de desaceleração.
O que explica a queda nas vendas
Embora os números indiquem retração, o contexto ajuda a entender o cenário.
Entre os fatores mais relevantes:
- Comparação com um mês anterior mais forte
- Ajustes de preço no mercado
- Mudança no perfil de compra
- Aumento do custo de financiamento
Além disso, parte dos consumidores pode ter antecipado compras anteriormente, o que impacta diretamente o desempenho de abril.
Liderança sólida, mas mercado em alerta
A CG 160 segue absoluta na liderança e mantém uma vantagem difícil de ser ameaçada no curto prazo.
Por outro lado, o restante do mercado mostra sinais claros de desaceleração, com quedas em praticamente todas as posições do ranking.
Ou seja, enquanto a líder continua estável, o cenário geral exige atenção. Para os próximos meses, o comportamento do consumidor e as condições de crédito devem ser determinantes para definir o ritmo das vendas.


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