As motos médias da Honda estão prestes a recuperar uma configuração mecânica que marcou gerações de motociclistas. Depois de surgirem como conceitos e despertarem grande expectativa, dois modelos avançaram para a produção com uma combinação de tradição, tecnologia e proposta esportiva.
A fabricante japonesa decidiu apostar novamente em uma arquitetura que perdeu espaço nos últimos anos. No entanto, em vez de simplesmente repetir uma fórmula antiga, a marca incorporou recursos eletrônicos encontrados em motocicletas maiores e mais caras.
Com isso, as novidades podem criar uma nova referência entre as motos de média cilindrada. Além do desempenho, a Honda também investiu em conectividade, assistência à pilotagem e conforto no uso diário.
Honda recupera uma configuração clássica da categoria

A Honda confirmou a chegada da CB400 Super Four E-Clutch e da CBR400R Four E-Clutch. Enquanto a primeira segue o estilo naked, a segunda adota carenagem integral e uma proposta mais esportiva.
Os dois modelos utilizam um motor de quatro cilindros em linha com 399 cm³ e refrigeração líquida. Essa arquitetura ficou conhecida por entregar funcionamento suave, resposta progressiva e um som mais agudo conforme o giro aumenta.
Durante a década de 1990, diversas motos de 400 cm³ utilizaram motores semelhantes. Entretanto, as regras ambientais, os custos de produção e a popularização dos propulsores de dois cilindros reduziram a presença dessa configuração.
Agora, as novas motos médias da Honda retomam esse conceito com controles eletrônicos atualizados. Dessa forma, a fabricante tenta unir o comportamento de uma tetracilíndrica com as exigências atuais de eficiência, segurança e facilidade de condução.
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CB400 Super Four aposta no visual naked
A Honda CB400 Super Four E-Clutch deixa o motor exposto e mantém uma identidade inspirada nas nakeds tradicionais da marca.
Além disso, a posição de pilotagem tende a favorecer o uso urbano e os trajetos diários. O conjunto também deve atrair consumidores que preferem um desenho clássico, mas não querem abrir mão de equipamentos modernos.
CBR400R Four prioriza a proposta esportiva
Por outro lado, a Honda CBR400R Four E-Clutch recebe carenagem completa. O conjunto aerodinâmico cria uma aparência mais agressiva e aproxima o modelo das esportivas maiores da família CBR.
A proteção frontal também pode melhorar o conforto em velocidades elevadas. Portanto, a versão carenada surge como uma alternativa para quem busca desempenho em rodovias e uma postura visual mais esportiva.
E-Clutch muda a relação do piloto com o câmbio

Um dos principais destaques das novas motos está no sistema Honda E-Clutch. A tecnologia controla eletronicamente o acionamento da embreagem durante as trocas de marcha e nas paradas.
Na prática, o motociclista pode arrancar, trocar de marcha e parar completamente sem apertar a manete de embreagem. Mesmo assim, a Honda preservou o comando convencional para quem prefere controlar manualmente o sistema.
Consequentemente, a tecnologia pode reduzir o esforço em congestionamentos e facilitar a condução para motociclistas menos experientes. Ao mesmo tempo, o câmbio continua oferecendo a sensação de uma transmissão tradicional.
O sistema não transforma a moto em automática. O piloto ainda seleciona as marchas pelo pedal, porém a eletrônica administra a embreagem quando necessário.
Eletrônica amplia o controle do motor
Além da embreagem eletrônica, as motos recebem acelerador eletrônico. O sistema throttle-by-wire substitui a ligação mecânica direta entre o punho e o motor por sensores e comandos digitais.
Com essa tecnologia, a central eletrônica consegue administrar a abertura do acelerador de maneira mais precisa. Assim, a Honda pode oferecer respostas mais suaves em baixa velocidade e uma entrega mais intensa quando o piloto exige desempenho.
O conjunto também permite uma atuação mais eficiente do controle de tração. Esse recurso monitora a aderência da roda traseira e reduz a força enviada ao solo quando identifica perda de contato.
Portanto, embora o motor de quatro cilindros tenha uma proposta esportiva, a eletrônica deve tornar o comportamento mais previsível em diferentes condições de uso.
Painel TFT leva conectividade às motos médias da Honda
A modernização também aparece no painel de instrumentos. A CB400 Super Four e a CBR400R Four utilizam uma tela TFT colorida de 5 polegadas.
O display apresenta as principais informações da motocicleta e substitui os instrumentos analógicos comuns em modelos de proposta clássica. Além disso, a tela deve facilitar a leitura em diferentes condições de iluminação.
As motocicletas também recebem o sistema Honda RoadSync. Por meio dele, o piloto pode conectar o smartphone e acessar funções diretamente pelos comandos instalados no guidão.
Entre os recursos disponíveis estão navegação com instruções de direção, controle de músicas e avisos de chamadas. Dessa maneira, a Honda amplia a conectividade sem exigir que o motociclista manipule o celular durante o trajeto.
Lançamentos ocorrerão em duas etapas no Japão
A Honda programou a estreia dos modelos em momentos diferentes. A estratégia começará pela versão naked e, posteriormente, avançará para a motocicleta carenada.
Honda CB400 Super Four E-Clutch

A CB400 Super Four E-Clutch chegará ao mercado japonês em 21 de agosto de 2026.
Segundo as informações divulgadas, o preço ficará próximo de 5.300 euros. Em uma conversão direta, sem considerar impostos, frete ou custos de importação, o valor corresponde a aproximadamente R$ 32 mil.
Honda CBR400R Four E-Clutch

Já a CBR400R Four E-Clutch terá as vendas iniciadas em 18 de setembro de 2026.
Por causa da carenagem e da proposta esportiva, o modelo terá preço superior. O valor estimado é de 6.200 euros, equivalente a cerca de R$ 37 mil em conversão direta.
No entanto, esses números não indicam quanto as motos custariam em outros países. Impostos, logística, homologação e posicionamento comercial podem alterar significativamente os preços.
Novidades ainda não têm lançamento confirmado no Brasil
Inicialmente, a Honda concentrará a comercialização no mercado asiático. Até o momento, a fabricante não anunciou oficialmente a chegada dos dois modelos ao Brasil.
Ainda assim, motociclistas de mercados europeus e americanos demonstram interesse pelas novidades. A procura por motos menores com acabamento sofisticado, tecnologia avançada e desempenho esportivo pode incentivar uma expansão internacional.
Além disso, marcas chinesas ganharam espaço com produtos equipados e preços competitivos. Nesse cenário, uma tetracilíndrica de aproximadamente 400 cm³ poderia ajudar a Honda a diferenciar seus modelos das rivais que utilizam motores de um ou dois cilindros.
No mercado brasileiro, a eventual chegada das novidades também criaria uma opção incomum entre as motos de média cilindrada. Entretanto, qualquer possibilidade de importação dependerá da estratégia global da fabricante.
Motos médias da Honda combinam tradição e tecnologia
A CB400 Super Four E-Clutch e a CBR400R Four E-Clutch representam uma tentativa da fabricante de recuperar uma fórmula clássica sem ignorar os avanços da indústria.
O motor de quatro cilindros em linha resgata uma característica valorizada pelos entusiastas. Ao mesmo tempo, o E-Clutch, o acelerador eletrônico, o controle de tração, o painel TFT e a conectividade aproximam os modelos das motocicletas mais modernas da marca.
Por enquanto, as motos médias da Honda estão confirmadas apenas para o mercado asiático. Mesmo assim, a combinação de mecânica tradicional e recursos eletrônicos pode aumentar a pressão para que a fabricante leve os dois modelos a outros países.