A MotoGP voltou às atividades nesta segunda-feira em Barcelona após um dos fins de semana mais tensos da temporada 2026.
Depois de uma corrida marcada por acidentes graves, múltiplas bandeiras vermelhas e enorme desgaste emocional dentro do paddock, as equipes retornaram ao circuito para a sessão oficial de testes da categoria.
O clima, porém, ainda era pesado nos boxes. Um dos episódios que mais repercutiram aconteceu dentro da estrutura ligada à Aprilia Racing após o toque entre Raúl Fernández e Jorge Martín durante a terceira largada do GP da Catalunha.
Raúl deixou claro que saiu bastante irritado com a situação e afirmou que o acidente poderia ter sido evitado.
Raúl Fernández acreditava em chance real de pódio na MotoGP
Antes da colisão com Jorge Martín, o piloto da Trackhouse afirmou que vivia uma de suas corridas mais fortes no ano e sentia que tinha ritmo suficiente para lutar entre os primeiros colocados.
“Creio que estávamos a gerir bem a situação. Queria colocar-me em primeiro para tentar abrir alguma vantagem e depois controlar a corrida.”
Segundo o espanhol, a estratégia era administrar melhor os pneus nas primeiras voltas para crescer no fim da prova.
“Vi que o Pedro queria atacar desde o começo e preferi deixá-lo gastar pneus enquanto nós pensávamos mais no final da corrida.”
Raúl reforçou que enxergava uma possibilidade concreta de subir ao pódio.
“Tínhamos ritmo para lutar pelo pódio. Não sei se o conseguiríamos ou não, mas o ritmo estava lá.”
Acidentes deixaram pilotos abalados
O GP da Catalunha foi interrompido mais de uma vez por causa de acidentes fortes envolvendo pilotos importantes do grid.
A primeira bandeira vermelha aconteceu após a grave batida de Álex Márquez e Johann Zarco. O episódio gerou enorme preocupação entre equipes e pilotos.
“Antes de mais, espero que o Álex e o Zarco estejam bem, porque foi um impacto muito forte, sobretudo o do Álex.”
Fernández revelou que também acabou atingido por peças espalhadas pela pista durante o acidente.
“Até eu me assustei. Fui atingido por peças das motos, tenho o dedo bastante magoado e uma pancada muito forte no peito.”
Mesmo assim, defendeu a continuidade da corrida enquanto não houvesse confirmação de lesões graves.
“Se o Álex estava bem e não havia danos maiores, sim. Viemos aqui para correr. Sabemos o risco que este desporto tem.”
Espanhol critica Jorge Martín após toque
A grande polêmica do domingo surgiu na terceira largada, quando Raúl Fernández e Jorge Martín acabaram caindo após contato em plena disputa de posições.
“A situação parece-me um pouco surreal, sinceramente.”
O piloto da Trackhouse explicou como enxergou a manobra.
“Ele travou muito cedo e eu decidi meter-me por dentro. Há um momento em que ele levanta a moto porque vê que vem alguém.”
Na sequência, veio a acusação mais forte.
“Quando vê que sou eu, volta a inclinar a moto e fecha-me completamente a trajetória.”
Raúl diz que imagens confirmam sua versão
Segundo Fernández, as imagens aéreas e os dados da telemetria mostram claramente que ele já ocupava parte da trajetória antes do contato.
“Quando analisamos a câmara aérea vê-se perfeitamente. Eu já lhe tinha passado parcialmente e quando ele me viu largou o travão e voltou a fechar. Não entrei sem cabeça.”
O espanhol também negou que tenha chegado descontrolado na curva.
“Não vinha a alargar nem fora de controlo. A única opção que tinha era meter-me por dentro porque ele travou antes do normal.”
Depois do acidente, Raúl revelou que inicialmente assumiu parte da culpa, mas mudou de opinião após rever as imagens.
“No início pensei simplesmente que o tinha levado comigo. Mas quando vimos as imagens e os dados, sinceramente fiquei ainda mais irritado. Isto já tinha acontecido ontem.”
Apesar da tensão, Fernández tentou afastar qualquer problema pessoal com Jorge Martín.
“Não tenho nada contra ele.”
Mesmo assim, encerrou reforçando a estranheza pela repetição do episódio.
“Acho curioso que algo parecido tenha acontecido duas vezes.”