A Honda revelou um amplo pacote de novidades para fortalecer sua atuação em um dos maiores mercados de duas rodas do mundo. A apresentação reuniu modelos de diferentes categorias e mostrou como soluções desenvolvidas em outros países podem ganhar espaço na nova estratégia da fabricante.
O evento aconteceu em Nova Délhi, na Índia, e marcou a estreia de sete produtos, além da atualização de outras três motocicletas. A linha contempla scooters, motos aventureiras, cruisers, roadsters e opções elétricas.
Honda aposta em produção local para ampliar presença na Índia

A Honda Motorcycle & Scooter India confirmou que produzirá os dez modelos em território indiano. No entanto, a empresa ainda não revelou preços nem datas específicas para o início das vendas.
Segundo a fabricante, cada produto terá suas informações comerciais divulgadas individualmente, conforme se aproximar do lançamento. Dessa forma, a Honda pretende atender diferentes perfis de consumidores sem concentrar todas as estreias em um único período.
A estratégia também reforça a Índia como um importante centro de produção e exportação para a companhia.
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ADV 160 Flex estreia com tecnologia criada no Brasil

O principal destaque para o público brasileiro é o ADV 160 Flex. O modelo foi apresentado como o primeiro scooter da Índia capaz de funcionar com diferentes proporções de gasolina e etanol.
A tecnologia utiliza como base a experiência da Honda no Brasil. Em 2009, a marca lançou a CG 150 Titan Mix, considerada pela empresa a primeira motocicleta flex do mundo.
Agora, o sistema do ADV 160 reconhece automaticamente misturas que variam entre E0 e E85. Portanto, o motociclista não precisa alterar configurações ou selecionar manualmente o combustível utilizado.
Motor e equipamentos do scooter flex
O ADV 160 utiliza um motor monocilíndrico de 156,9 cm³, com quatro válvulas e refrigeração líquida. O conjunto entrega 16,3 cv de potência e torque de 1,52 kgfm.
Além disso, o scooter possui tanque de 8,1 litros e compartimento de 27 litros sob o banco.
A Honda equipou o modelo com roda dianteira de 14 polegadas, pneus largos, posição de condução elevada e assoalho que permite diferentes apoios para os pés. O projeto segue o conceito City Adventure, já aplicado em modelos como X-ADV e ADV350.
Nova CB 500 combina visual clássico e motor monocilíndrico
A CB 500 apresentada na Índia adota uma proposta diferente da motocicleta bicilíndrica conhecida em outros mercados. A novidade utiliza um motor monocilíndrico de 501 cm³, refrigerado a ar e auxiliado por radiador de óleo.
O propulsor desenvolve 28,1 cv e torque de 4,42 kgfm. Visualmente, a motocicleta mantém linhas clássicas semelhantes às encontradas na família CB350 indiana e na GB350 comercializada em outros países.
Entre os equipamentos estão embreagem assistida e deslizante, controle de tração HSTC, conexão com smartphones pelo Honda RoadSync e suspensão traseira com reservatório de gás.
A marca oferecerá a CB 500 nas configurações Alloy, Spoke Tubeless e Spoke Tubeless with Graphics.
Rebel 300 e Rebel 500 ganham produção indiana

A Honda também iniciará a fabricação local das Rebel 300 e Rebel 500. Ambas seguem o estilo cruiser, com assento baixo, posição relaxada de pilotagem e elementos inspirados nas motocicletas bobber.
A Rebel 300 traz motor de 286 cm³ com refrigeração líquida. Já a Rebel 500 utiliza um propulsor bicilíndrico de 471 cm³, igualmente refrigerado a líquido.
Além disso, as duas poderão receber o sistema E-Clutch. A tecnologia automatiza o acionamento da embreagem, mas preserva o câmbio convencional. Assim, o condutor pode trocar as marchas sem utilizar constantemente o manete, especialmente no trânsito urbano.
A fabricante não divulgou os números de potência e torque das versões destinadas à Índia.
XR 300L e XR 300 Rally ampliam linha aventureira

A XR 300L foi desenvolvida para percursos urbanos e trechos fora do asfalto. Para isso, combina dimensões compactas, suspensões de longo curso e ergonomia voltada à pilotagem em terrenos irregulares.
Por outro lado, a XR 300 Rally utiliza uma carenagem maior e oferece mais proteção aerodinâmica. A configuração busca atender motociclistas interessados em viagens e trajetos mistos.
As duas usam um motor de 293,5 cm³, refrigerado a ar e equipado com radiador de óleo. Entretanto, a Honda não informou a potência nem o torque.
Durante a apresentação, a empresa associou os novos modelos à tradição da marca no off-road, citando a Africa Twin, a linha CRF e sua experiência no Rali Dakar.
QC3 representa a nova fase elétrica da Honda

A mobilidade elétrica ficou sob responsabilidade do scooter QC3. O modelo possui bateria de 3 kWh e oferece autonomia declarada de 151 quilômetros no ciclo indiano IDC.
Segundo a Honda, a recarga de 0 a 80% leva aproximadamente 2 horas e 40 minutos.
O QC3 também conta com painel TFT de 5 polegadas, chave presencial Smart Key e compartimento de 32 litros sob o banco.
Inicialmente, a empresa colocará o scooter em circulação por meio de um projeto piloto. A operação ficará restrita a cidades indianas que já possuem infraestrutura adequada de carregamento.
Família CB350 recebe mudanças visuais

A Honda completou o pacote de dez modelos com atualizações para CB350, CB350C e CB350RS.
Nesse caso, as alterações incluem novas cores, grafismos inéditos e componentes com acabamento escurecido. Contudo, a marca manteve o conjunto mecânico sem modificações.
As três motocicletas continuarão direcionadas ao público que busca design clássico, condução urbana e mecânica de concepção tradicional.
Índia ganha espaço na estratégia global da Honda
O novo portfólio faz parte da estratégia multi-pathway da Honda. O plano combina motores a combustão, veículos elétricos e tecnologias compatíveis com combustíveis alternativos.
Atualmente, a companhia afirma produzir mais de 20 milhões de motocicletas por ano. A operação envolve 41 fábricas distribuídas por 24 países e regiões.
Na Índia, a Honda mantém quatro unidades industriais, atende mais de 76 milhões de consumidores e possui uma rede com mais de 7 mil pontos de atendimento.
Apesar da apresentação de modelos com potencial internacional, a fabricante não confirmou lançamentos fora da Índia. Portanto, ainda não há previsão oficial para a chegada dessas motocicletas ao Brasil.