O GP da Bélgica colocará a Red Bull diante de um dos testes mais delicados da temporada 2026 da Fórmula 1. Além das características extremas de Spa-Francorchamps, a equipe precisa encontrar o equilíbrio entre velocidade, desempenho aerodinâmico e segurança.
Nas últimas etapas, uma solução técnica importante passou de possível vantagem competitiva a motivo de preocupação. Agora, a escuderia austríaca adotará uma abordagem diferente para evitar novos problemas no circuito belga.
Spa exige confiança total no sistema aerodinâmico

A Red Bull decidiu disputar o GP da Bélgica com uma asa traseira mais convencional. Dessa forma, a equipe deixará de utilizar em Spa o conceito rotativo apelidado de “Macarena”.
A escolha representa um recuo importante, pois Spa-Francorchamps possui longas retas e curvas percorridas em alta velocidade. Portanto, qualquer comportamento inesperado da asa traseira pode comprometer imediatamente a estabilidade do carro.
Além disso, o circuito exige pouca resistência aerodinâmica nas retas. Ao mesmo tempo, os pilotos precisam de carga suficiente para enfrentar trechos rápidos, como Eau Rouge, Raidillon, Pouhon e Blanchimont.
Embora a asa “Macarena” pudesse oferecer ganhos de velocidade, a Red Bull preferiu reduzir os riscos e usar um mecanismo já conhecido pela equipe.
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Acidentes de Verstappen mudaram os planos da Red Bull
A decisão ganhou força depois de dois acidentes envolvendo Max Verstappen. O primeiro ocorreu durante a classificação para o GP da Áustria, quando a asa traseira não voltou corretamente à posição necessária para as curvas.
Posteriormente, uma situação semelhante atingiu o holandês durante o GP da Grã-Bretanha. Verstappen disputava as primeiras posições quando perdeu o controle na curva Stowe e terminou na brita.
Segundo o tetracampeão, a asa não restabeleceu completamente o fluxo aerodinâmico durante a entrada da curva. Como resultado, o carro perdeu carga traseira de maneira repentina e rodou.
Verstappen classificou o problema como “superperigoso” e afirmou que teve sorte nos dois acidentes. Por isso, a Red Bull iniciou uma análise aprofundada antes da etapa seguinte do campeonato.
Como funciona a asa “Macarena”
O regulamento de 2026 substituiu o antigo DRS pelo chamado modo de reta. Nesse sistema, os carros alteram a configuração aerodinâmica para diminuir o arrasto e alcançar velocidades maiores.
A asa “Macarena” leva esse princípio a um nível mais radical. Em vez de apenas abrir um espaço entre os elementos, o flap superior realiza uma rotação muito maior.
Assim, o componente reduz significativamente a resistência ao avanço nas retas. Entretanto, ele precisa retornar rapidamente à posição de maior carga antes das curvas.
Ferrari e Red Bull estrearam suas respectivas interpretações do conceito no GP de Miami. Apesar de utilizarem o mesmo princípio, as equipes desenvolveram mecanismos diferentes.
Red Bull prioriza segurança antes do GP da Bélgica
O chefe da Red Bull, Laurent Mekies, já havia indicado que a equipe faria tudo o que fosse necessário para impedir novos acidentes. Portanto, abandonar temporariamente o sistema rotativo surgiu como a solução mais segura.
A escuderia utilizará em Spa um flap traseiro com funcionamento convencional. Enquanto isso, os engenheiros continuarão investigando as falhas registradas na Áustria e na Inglaterra.
A mudança pode limitar parte do ganho aerodinâmico nas retas. No entanto, um sistema mais previsível oferece maior confiança para Verstappen e seu companheiro de equipe nas curvas rápidas do circuito belga.
Além disso, a equipe ainda poderá recuperar desempenho por meio dos ajustes de altura, suspensão e inclinação das asas. Dessa maneira, a Red Bull tentará compensar qualquer perda sem comprometer a segurança.
FIA acompanha investigação sobre as asas rotativas
A Federação Internacional de Automobilismo também passou a acompanhar o funcionamento das asas utilizadas por Red Bull e Ferrari. O órgão iniciou conversas com as equipes após os acidentes de Verstappen.
Pelas regras técnicas, o sistema precisa mudar entre o modo de reta e a configuração de curva em até 400 milissegundos. Além disso, uma eventual falha deve fazer a asa retornar à posição que oferece maior carga aerodinâmica.
A Ferrari não registrou incidentes graves com sua versão. Ainda assim, a FIA analisa os dois projetos para entender se precisa estabelecer novas exigências de segurança.
Decisão pode definir desempenho da equipe em Spa
Ao deixar a asa “Macarena” de lado, a Red Bull abre mão de uma solução criada para melhorar a eficiência nas retas. Porém, a equipe ganha estabilidade em um fim de semana no qual qualquer falha pode provocar consequências graves.
O GP da Bélgica também servirá para medir o impacto real da mudança. Caso o carro mantenha competitividade com a configuração tradicional, a Red Bull poderá avaliar com mais calma o futuro do conceito rotativo.
Por outro lado, uma perda expressiva de velocidade poderá aumentar a pressão sobre o departamento técnico. Nesse cenário, os engenheiros precisarão corrigir o mecanismo antes de considerar seu retorno.
Assim, a prioridade da Red Bull no GP da Bélgica será entregar um carro confiável e previsível. A asa “Macarena” poderá reaparecer em outra etapa, mas somente depois que a equipe eliminar os riscos observados nas últimas corridas.