A McLaren voltou ao centro das discussões sobre os desafios técnicos da Fórmula 1 em 2026. Embora a equipe inglesa permaneça entre as principais forças do grid, a relação com sua fornecedora de motores levantou questionamentos sobre até onde uma escuderia cliente consegue controlar o próprio desempenho.
As dificuldades surgiram em um momento de profunda transformação na categoria. Por isso, o debate deixou de envolver apenas velocidade e passou a incluir autonomia, acesso a informações e capacidade de desenvolvimento.
Novo regulamento expõe desafios técnicos da McLaren

A temporada de 2026 introduziu uma nova geração de unidades de potência na F1. Agora, o sistema elétrico ganhou mais importância, enquanto o gerenciamento de energia passou a influenciar diretamente o rendimento dos carros.
Nesse cenário, a McLaren ainda busca aproveitar todo o potencial do conjunto fornecido pela Mercedes. A equipe de Woking levantou dúvidas sobre o acesso a determinados dados técnicos, principalmente porque a própria Mercedes apresentou melhor eficiência energética com a mesma base de propulsor.
Por outro lado, uma equipe cliente não participa de todas as etapas de criação do motor. Consequentemente, ela precisa adaptar o chassi e os sistemas eletrônicos a uma unidade desenvolvida inicialmente de acordo com as necessidades do fabricante.
Essa diferença pode afetar decisões relacionadas à recuperação de energia, ao uso da potência elétrica e à distribuição do desempenho ao longo de uma volta.
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Guenther Steiner cobra mudança de postura

Guenther Steiner, ex-chefe da Haas na Fórmula 1, criticou as reclamações da McLaren durante uma participação no podcast The Red Flags. Para ele, a equipe deveria abandonar a posição de cliente e investir em uma unidade de potência própria.
Segundo Steiner, a construção de um motor eliminaria os questionamentos sobre especificações, compartilhamento de informações e possíveis vantagens da equipe oficial da Mercedes.
Além disso, o dirigente recordou que a McLaren já enfrentou atritos com outros fornecedores. A parceria com a Honda, entre 2015 e 2017, ficou marcada por problemas de desempenho e confiabilidade. Posteriormente, a equipe também utilizou motores Renault antes de retornar ao conjunto Mercedes em 2021.
Portanto, na avaliação de Steiner, as insatisfações recorrentes mostram que a escuderia precisa assumir maior controle sobre seu projeto.
Motor próprio daria autonomia à equipe de Woking
A fabricação de uma unidade de potência permitiria que a McLaren desenvolvesse motor, chassi, aerodinâmica e sistemas eletrônicos de maneira integrada.
Atualmente, a equipe precisa trabalhar dentro dos parâmetros apresentados pela Mercedes. Com um projeto independente, entretanto, os engenheiros poderiam definir desde o início as características ideais para o carro.
Integração poderia aumentar o desempenho
Uma equipe de fábrica consegue escolher o posicionamento de componentes, o sistema de refrigeração e a forma de entrega da potência com mais liberdade. Dessa forma, o departamento de aerodinâmica pode criar um carro totalmente adaptado ao motor.
Além disso, o controle direto sobre os dados reduziria a dependência de informações externas. Esse fator se tornou ainda mais importante em 2026, já que a eficiência do sistema híbrido ganhou peso no desempenho geral.
No entanto, o desenvolvimento exige investimentos elevados, instalações específicas e profissionais especializados. Por isso, a entrada no mercado de motores representa um projeto de longo prazo, não uma solução imediata.
Red Bull e Audi viram exemplos para a McLaren

Steiner citou Red Bull e Audi como referências de fabricantes que decidiram controlar seus próprios projetos.
A Red Bull criou a Red Bull Powertrains e iniciou uma parceria técnica com a Ford para produzir unidades de potência. Assim, a equipe passou a concentrar mais etapas do desenvolvimento dentro de sua própria estrutura.
A Audi também escolheu fabricar o motor de seu projeto na Fórmula 1. Em vez de comprar unidades de outra montadora, a marca alemã estruturou uma operação própria para ampliar sua independência técnica.
Na visão do ex-chefe da Haas, a McLaren possui força comercial suficiente para considerar uma estratégia semelhante. Zak Brown, CEO da equipe, construiu uma ampla carteira de patrocinadores e ampliou as receitas da operação nos últimos anos.
Portanto, parte desses recursos poderia financiar a criação de um novo departamento de motores.
Projeto também fortaleceria os carros de rua
Um motor desenvolvido para a Fórmula 1 não geraria benefícios apenas dentro das pistas. Segundo Steiner, a iniciativa também poderia fortalecer a imagem dos automóveis produzidos pela McLaren.
A marca fabrica superesportivos de alto desempenho, mas ainda depende de parceiros para alguns componentes de seus sistemas de propulsão. Consequentemente, a experiência adquirida na F1 poderia acelerar o desenvolvimento de tecnologias híbridas e elétricas para os veículos de rua.
Além disso, um projeto próprio reforçaria a identidade da empresa como fabricante completo. Essa estratégia poderia aumentar o valor comercial da marca e criar uma ligação mais direta entre competição e produção.
McLaren precisa decidir até onde deseja avançar
A criação de uma unidade de potência envolveria riscos financeiros e técnicos. Ainda assim, Guenther Steiner acredita que a McLaren precisa avaliar essa possibilidade caso continue insatisfeita com sua condição de cliente.
A equipe já demonstrou capacidade para construir carros competitivos, atrair patrocinadores e disputar posições importantes na Fórmula 1. Porém, um motor próprio representaria um novo patamar de independência.
Dessa forma, a McLaren teria controle maior sobre o desenvolvimento e deixaria de depender das decisões de outra fabricante. Embora o caminho seja caro e complexo, Steiner considera que essa seria a alternativa mais coerente para uma equipe que deseja assumir total responsabilidade por seus resultados.