A Fórmula 1 pode passar por uma mudança importante nos bastidores políticos da FIA nos próximos meses. O presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem, pretende apresentar uma proposta para eliminar o atual limite de mandatos da presidência da federação.
A medida abriria caminho para reeleições ilimitadas até os 70 anos de idade e pode alterar completamente a estrutura de poder dentro da entidade que controla a Fórmula 1 e outras categorias do automobilismo mundial.
O tema já começou a gerar repercussão porque envolve diretamente o futuro comando da FIA em meio a uma gestão marcada por polêmicas e disputas internas.
FIA pode eliminar limite atual de mandatos
A proposta deve ser apresentada oficialmente durante a Assembleia Geral da FIA marcada para o dia 26 de junho, em Macau.
Atualmente, o regulamento estabelece mandatos de quatro anos para a presidência, com limite máximo de três períodos consecutivos.
Na prática, isso significa que um dirigente pode permanecer no cargo por até 12 anos.
Ben Sulayem assumiu a presidência da FIA em 2021 após substituir Jean Todt.
Reeleito no fim de 2025, ele ainda teria direito a disputar mais um mandato pelas regras atuais.
Porém, caso a mudança seja aprovada, o dirigente poderia permanecer além desse limite.
Regra da idade também pode ganhar importância
Outro ponto importante envolve a idade máxima permitida para concorrer à presidência da FIA.
Hoje, o regulamento impede candidaturas de pessoas com mais de 69 anos no momento da eleição.
Ben Sulayem terá justamente 69 anos em uma eventual terceira candidatura.
Por isso, a proposta de eliminar o limite de mandatos também passa a ser vista como uma forma de ampliar as possibilidades de permanência no cargo.
Segundo informações dos bastidores da categoria, o presidente ainda mantém forte apoio principalmente entre federações menores ligadas à FIA.
Gestão de Ben Sulayem acumula polêmicas
Desde que assumiu a presidência, Mohammed Ben Sulayem se envolveu em diversos episódios polêmicos dentro do automobilismo.
Entre os temas que geraram críticas aparecem:
- Conflitos com a Liberty Media
- Punições contra palavrões de pilotos
- Mudanças internas na FIA
- Questionamentos sobre auditoria e ética
- Debates sobre autonomia dos comitês internos
Além disso, o dirigente frequentemente demonstrou insatisfação com a divisão financeira envolvendo a Fórmula 1.
Em uma de suas declarações mais repercutidas, Ben Sulayem afirmou não considerar normal que pilotos e chefes de equipe recebam mais dinheiro do que toda a FIA.
Oposição tentou desafiar presidente em 2025
Durante a eleição mais recente da FIA, nomes como Carlos Sainz Sr. e Tim Mayer tentaram construir candidaturas alternativas.
Os opositores defendiam uma FIA mais democrática e criticavam parte das decisões tomadas pela atual gestão.
Mesmo assim, Ben Sulayem conseguiu ampla vantagem na disputa eleitoral e consolidou seu espaço político dentro da entidade.
Agora, a possível mudança nas regras da presidência promete aumentar ainda mais o debate sobre governança e concentração de poder dentro da FIA.
Caso a proposta avance em Macau, a Fórmula 1 poderá assistir a uma transformação importante na estrutura política do automobilismo mundial.