A F1 voltou a ter uma decisão dos comissários no centro das discussões após um contato entre Charles Leclerc e Oscar Piastri no GP da Bélgica. Embora o incidente tenha provocado reclamações e danos, um detalhe técnico analisado pela FIA acabou sendo determinante para o desfecho do caso.
O lance aconteceu durante uma tentativa de ultrapassagem na chegada à Les Combes, um dos pontos mais disputados do circuito de Spa-Francorchamps. Piastri colocou a McLaren pelo lado externo, enquanto Leclerc preparava a Ferrari para a entrada da curva.
Os carros tocaram as rodas durante a frenagem. Como consequência, o monoposto da equipe britânica sofreu danos. Ainda assim, os comissários decidiram encerrar a análise sem aplicar punição ou advertência ao piloto monegasco.
Piastri questiona espaço deixado durante a disputa

Depois da corrida, Piastri demonstrou insatisfação com a forma como Leclerc defendeu a posição. Segundo o australiano, a McLaren já estava muito próxima da linha branca quando a Ferrari se deslocou para preparar a curva.
Além disso, o piloto afirmou que o contato poderia ter provocado um acidente mais grave. Para ele, mesmo que uma penalidade esportiva fosse considerada exagerada, uma advertência por meio da bandeira preta e branca poderia ter sido utilizada.
Piastri também avaliou que a ausência de qualquer medida poderia abrir um precedente. Afinal, na interpretação do piloto da McLaren, Leclerc deixou apenas o espaço mínimo durante uma disputa realizada em alta velocidade e já dentro da zona de frenagem.
Entretanto, a análise da FIA seguiu outro caminho.
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FIA identifica erro na tentativa de ultrapassagem
De acordo com os comissários da F1, Piastri não havia conquistado uma posição suficiente ao lado da Ferrari para ter direito ao espaço necessário na parte externa da curva.
As imagens mostraram que a McLaren chegou parcialmente ao lado do carro de Leclerc. Porém, o eixo dianteiro do monoposto número 81 não estava à frente do eixo dianteiro da Ferrari número 16 no momento considerado decisivo.
Consequentemente, os responsáveis pela prova classificaram a manobra como uma tentativa de ultrapassagem que não poderia ser concluída daquela posição.
Diretriz para ultrapassagens por fora pesou na decisão
As normas utilizadas pela FIA determinam que, em uma ultrapassagem pelo lado externo, o carro atacante precisa alcançar uma posição mínima antes do ápice.
Nesse caso, o eixo dianteiro do veículo que tenta passar deve estar à frente do eixo dianteiro do adversário. Caso contrário, o piloto que defende a posição mantém prioridade para escolher sua trajetória.
Além disso, os comissários entenderam que Piastri não tinha condições de retardar ainda mais a frenagem para completar a manobra. O australiano precisou reduzir a velocidade quando percebeu que o espaço diminuía, mas o contato lateral já havia acontecido.
Movimento de Leclerc não foi considerado intencional

Outro ponto importante foi a avaliação da trajetória adotada por Leclerc. Segundo a FIA, o piloto da Ferrari não direcionou deliberadamente Piastri para fora da pista.
Na leitura dos comissários, Leclerc permaneceu na linha ideal e fez apenas um pequeno deslocamento para a esquerda antes de apontar o carro para a curva 5. Portanto, o movimento foi tratado como parte da preparação normal para a entrada em Les Combes.
Ao mesmo tempo, a entidade não classificou o episódio como um simples contato entre dois carros que trafegavam lado a lado em uma reta. A análise considerou todo o contexto da tentativa de ultrapassagem, incluindo posicionamento, trajetória e possibilidade real de completar a manobra.
Decisão encerra investigação no GP da Bélgica
Por fim, a FIA concluiu que Leclerc não cometeu uma infração que justificasse intervenção esportiva. Embora Piastri tenha sofrido danos e questionado a falta de uma advertência, sua posição incompleta ao lado da Ferrari pesou contra a reclamação.
Assim, o episódio do GP da Bélgica reforça como as diretrizes de ultrapassagem influenciam decisões importantes na F1. Nesse caso, o posicionamento dos eixos e a trajetória considerada natural de Leclerc foram suficientes para afastar qualquer punição.