O anúncio de obras no Morro dos Cavalos, feito nesta quinta-feira (28) pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, foi recebido com atenção pelo setor produtivo do Sul de Santa Catarina.
Embora a intervenção represente avanço na mobilidade da BR-101, a possibilidade de reajuste nas tarifas de pedágio acendeu um alerta entre empresários e trabalhadores da região.
A reação partiu da ACIVA, que avalia impactos diretos no deslocamento diário de quem depende da rodovia para trabalhar.
Mudança no discurso sobre o valor do pedágio

Segundo a ACIVA, a preocupação aumentou após a alteração no posicionamento do ministro. Em manifestações anteriores, a sinalização era de que não haveria reajuste no pedágio.
Durante o anúncio das obras, porém, a informação foi ajustada: o aumento não ocorreria apenas até o início dos trabalhos.
Para a entidade, a mudança gera insegurança sobre o que pode acontecer após o começo das intervenções no trecho.
Impacto direto no bolso dos trabalhadores da região
A principal preocupação está nos custos para quem se desloca diariamente entre cidades da região da Amesc. De acordo com a ACIVA, há trabalhadores que moram em Maracajá e atuam em Araranguá, cruzando o pedágio todos os dias.
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Nesse cenário, um reajuste pode representar de 5% a 8% do salário mensal apenas com tarifas.
Para a associação, esse peso financeiro pode inviabilizar a manutenção de empregos em cidades vizinhas, reduzindo a mobilidade da mão de obra regional.
Entidade acompanha debate e busca apoio político
Diante do cenário, a ACIVA informou que está monitorando as discussões em Brasília. A entidade também busca apoio de parlamentares catarinenses que se posicionem contra eventuais aumentos nas tarifas.
O objetivo é garantir que a execução das obras não resulte em um custo excessivo para a população que depende diariamente da BR-101.
Free flow surge como alternativa à elevação das tarifas
Como proposta, a ACIVA defende a adoção do modelo free flow, já utilizado em outras regiões do país. Nesse sistema, não há cancelas. Câmeras e sensores identificam os veículos em movimento, permitindo a cobrança automática.
Além de melhorar a fluidez do trânsito, a entidade argumenta que o modelo possibilita tarifas mais proporcionais.
A cobrança seria distribuída por trechos menores, com valores reduzidos conforme a distância percorrida, diminuindo o impacto financeiro para quem utiliza apenas parte da rodovia diariamente.
A discussão em torno do pedágio no Morro dos Cavalos mostra que obras de infraestrutura precisam caminhar junto com previsibilidade e equilíbrio tarifário.
Embora a intervenção na BR-101 seja considerada essencial para a mobilidade e a segurança viária, o temor de aumento nas tarifas evidencia o impacto direto que decisões desse tipo podem ter sobre trabalhadores e a economia regional.
O debate agora se concentra em encontrar soluções que viabilizem as obras sem ampliar o custo diário de quem depende da rodovia.






