Um golpe que bloqueia o sinal da chave do carro voltou a chamar atenção depois que uma influenciadora relatou uma tentativa de furto nas redes sociais.
O método não exige quebrar vidros nem arrombar portas e pode passar despercebido por quem apenas aperta o botão do controle e se afasta sem conferir se o veículo realmente foi travado.
A técnica utiliza um dispositivo conhecido popularmente como “chapolin”, capaz de interferir na comunicação entre a chave e o automóvel. Embora o golpe não seja novo, ele continua funcionando justamente porque muitos motoristas não percebem a falha no travamento.
Chave é acionada, mas o carro continua aberto
Amanda Magalhães percebeu algo estranho ao estacionar perto da casa da irmã. Ao pressionar o botão da chave, as portas não travaram. Ela tentou novamente, mas o problema continuou.
Logo depois, um casal que estacionou atrás dela enfrentou exatamente a mesma situação. A coincidência aumentou a suspeita de que havia alguma interferência acontecendo naquela região.
Amanda então decidiu colocar o carro dentro da garagem da irmã. Ali, ao tentar novamente, o sistema voltou a funcionar normalmente.
O relato publicado no Instagram ultrapassou 1,7 milhão de visualizações e trouxe novamente o golpe para o debate.

Chapolin interfere no sinal do alarme
Segundo o especialista em segurança pública e monitoramento veicular Rodrigo Boutti, o dispositivo usado pelos criminosos pode se parecer com um controle de portão ou até com um rádio-comunicador.
Seu objetivo é gerar uma interferência eletromagnética na frequência utilizada pelo alarme do carro.
Na prática, quando o motorista aperta o botão para travar as portas, o comando não chega corretamente ao veículo. A pessoa pode ouvir o clique do controle e simplesmente imaginar que o carro foi fechado, mas as portas permanecem destravadas.
Esse detalhe facilita bastante a ação dos criminosos, que conseguem acessar a cabine sem quebrar vidro ou chamar atenção.
Criminosos podem levar objetos ou até o próprio carro
O golpe pode ter finalidades diferentes.
Em uma delas, o criminoso espera o motorista se afastar e entra no veículo para pegar objetos deixados no interior.
Já em ações voltadas ao furto do próprio automóvel, o procedimento pode ser mais elaborado. Depois de impedir o travamento, os criminosos acessam o carro e substituem o módulo responsável pelo reconhecimento da chave original.
Com essa alteração, conseguem acionar a ignição e levar o veículo.
Segundo o especialista, carros furtados dessa maneira podem ser levados para desmanches clandestinos, onde são desmontados e têm suas peças destinadas ao mercado paralelo.
Postos de estrada também exigem atenção
Quando o objetivo é roubar itens deixados dentro da cabine, locais de parada durante viagens aparecem como um ponto de atenção.
Isso acontece porque muitos motoristas carregam notebooks, videogames e outros equipamentos de valor durante trajetos mais longos.
Em postos de combustível e pontos de parada nas rodovias, o motorista pode estacionar, apertar o controle rapidamente e seguir para uma loja ou restaurante sem testar a porta.
Nesse intervalo, se houver interferência no sinal, o veículo pode permanecer aberto.
Por isso, além de conferir o travamento, vale evitar deixar objetos de valor expostos dentro do carro.
Carros mais novos dificultaram o golpe tradicional
A evolução das chaves presenciais reduziu parte da vulnerabilidade ao chapolin tradicional.
Veículos mais modernos utilizam sinais codificados e contam com diferentes antenas espalhadas pela cabine para reconhecer a chave com maior precisão.
Entretanto, os criminosos também adaptaram os métodos.
Uma das evoluções mencionadas pelo especialista envolve retransmissores capazes de capturar e retransmitir o sinal de chaves presenciais. Dessa forma, a tecnologia usada para aumentar a segurança também passou a exigir novos cuidados do motorista.
Ainda assim, no golpe com bloqueio do alarme, a principal vulnerabilidade continua sendo a falta de conferência depois de estacionar.
Como saber se o carro realmente foi travado
A prevenção não depende de nenhum equipamento especial.
Depois de estacionar, observe se o veículo deu os sinais normais de travamento, como piscar as luzes ou emitir o aviso sonoro do alarme.
Em seguida, espere alguns segundos e puxe a maçaneta para confirmar que a porta está realmente fechada.
Caso ela continue destravada, tente acionar o controle novamente. Se o problema persistir, não deixe o carro naquele local.
Ao desconfiar de alguma tentativa de interferência, procure um segurança ou saia da região.
Além disso, evite deixar notebooks, bolsas, celulares e outros itens de valor visíveis na cabine, mesmo quando o veículo estiver travado.
Conferir a maçaneta pode evitar um prejuízo grande
O golpe funciona porque transforma um hábito automático em uma oportunidade. O motorista aperta o botão da chave, acredita que o carro foi travado e segue seu caminho.
Por isso, uma verificação de poucos segundos faz diferença.
Se o veículo não responder normalmente ao controle, principalmente quando outros carros próximos apresentam o mesmo problema, o melhor é não ignorar o sinal.
Conferir luzes, som do alarme e a própria maçaneta continua sendo uma das maneiras mais simples de evitar que o bloqueador transforme uma distração em furto.