As motos continuam ganhando espaço no mercado brasileiro, e a forma de pagamento também passou a ter um peso maior na decisão de compra.
No primeiro semestre de 2026, uma modalidade ampliou sua presença entre quem buscava uma motocicleta zero-quilômetro e alcançou participação expressiva nas negociações do país.
Os dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram não apenas o avanço do consórcio entre os compradores. Além disso, revelam crescimento nas vendas de cotas, aumento no número de participantes e maior utilização de créditos para a compra de motocicletas.
Consórcio respondeu por 35,5% das motos novas

Entre janeiro e junho de 2026, os consumidores compraram 35,5% das motos zero-quilômetro por meio de consórcio. Ou seja, mais de um terço das motocicletas novas negociadas no período teve essa modalidade como forma de aquisição.
Esse percentual mostra como o consórcio ganhou relevância no segmento. Enquanto o financiamento tradicional permite levar o veículo imediatamente, o consórcio atrai principalmente quem consegue planejar a compra e esperar pela contemplação.
Quando a ABAC considera todo o mercado de duas rodas, incluindo motocicletas novas e usadas, o cenário muda. Nesse recorte, o consórcio respondeu por 27,8% das aquisições, enquanto os financiamentos representaram 72,2%.
Já entre as motos seminovas, a participação ficou bem menor. Apenas 6,3% das compras utilizaram consórcio. Portanto, a modalidade mostra uma presença muito mais forte entre os consumidores que procuram uma motocicleta nova.
Veja também:
Nova Honda clássica é registrada no Brasil; rival da Royal Enfield vem aí?
Honda Sahara 300 enfrenta Lander 250 e Himalayan 450; veja qual é melhor
Honda entra na briga com a ZX-4RR ao lançar esportiva de 4 cilindros
Venda de cotas avança acima da projeção
Além de aumentar sua participação nas compras de motos, o consórcio também registrou crescimento nas novas adesões.
Durante os seis primeiros meses de 2026, as administradoras comercializaram 759,6 mil cotas de consórcio de motocicletas. Esse volume superou em 8,6% o resultado do mesmo período de 2025.
A alta também ficou acima da projeção inicial da própria ABAC. Antes disso, a entidade esperava um crescimento de aproximadamente 7% para o segmento.
Ao mesmo tempo, milhares de participantes conseguiram acesso ao crédito. Entre janeiro e junho, 339,2 mil consorciados receberam a contemplação e, assim, puderam utilizar suas cartas de crédito para comprar motocicletas.
Esse número ajuda a mostrar que o avanço não ocorre apenas na entrada de novos participantes. Afinal, parte relevante dos consumidores já alcançou a etapa que permite transformar o crédito em uma moto.
Segmento de motos reúne 3,3 milhões de consorciados
O número de participantes ativos também reforça o tamanho desse mercado. Em junho de 2026, os grupos destinados à compra de motocicletas somavam 3,30 milhões de consorciados.
Com isso, o segmento passou a representar 24,7% de todos os participantes do Sistema de Consórcios no Brasil. Em quantidade de consumidores ativos, as motos ficam atrás apenas dos veículos leves.
Além disso, o sistema completo alcançou um novo recorde. O país chegou a 13,36 milhões de participantes ativos em junho de 2026, número 12,6% maior que o registrado no mesmo mês do ano anterior.
As novas adesões também cresceram. No primeiro semestre, as administradoras venderam 2,82 milhões de cotas, avanço de 14,6%.
Juntas, essas operações somaram R$ 278,99 bilhões em créditos comercializados. Portanto, o crescimento das motos acompanha uma expansão mais ampla do mercado de consórcios no Brasil.
Quase uma em cada três motos teve dinheiro de consórcio

A ABAC também calcula o impacto dos créditos dos participantes contemplados sobre o mercado de motocicletas.
Por esse critério, o consórcio teve potencial para participar de 28,9% das motos comercializadas no mercado interno durante o primeiro semestre de 2026.
Na prática, isso equivale a quase uma em cada três motocicletas vendidas no país.
Esse índice, porém, não deve ser confundido com os 35,5% registrados entre as motos zero-quilômetro. O primeiro considera o potencial de utilização dos créditos contemplados no mercado, enquanto o segundo mostra a participação efetiva do consórcio especificamente nas compras de veículos novos.
Ainda assim, os dois indicadores apontam para a mesma direção: o consórcio conquistou espaço importante no setor de duas rodas.
Por que o consórcio atrai compradores de motos?
Um dos fatores que ajuda a explicar esse movimento está no custo do crédito. Em períodos de juros elevados, o financiamento tradicional pode aumentar significativamente o valor final pago pela motocicleta.
O consórcio, por outro lado, não utiliza juros da mesma maneira. Entretanto, o consumidor paga taxa de administração e pode encontrar outros custos previstos no contrato.
Além disso, existe uma diferença importante. Quem entra em um grupo não recebe necessariamente a moto logo no início. O participante precisa conquistar a contemplação por sorteio ou por meio de lance.
Por isso, a modalidade costuma atender melhor quem consegue organizar a compra com antecedência e não precisa da motocicleta imediatamente.
Consórcio amplia espaço no mercado de motos
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que o consórcio se tornou uma alternativa relevante para quem pretende comprar motos no Brasil.
Com 35,5% das motocicletas novas adquiridas pela modalidade, 759,6 mil cotas comercializadas e 3,3 milhões de participantes ativos, o segmento manteve o ritmo de crescimento.
Além disso, o avanço acima das projeções da ABAC indica que mais consumidores passaram a considerar o planejamento de longo prazo antes de comprar uma moto. Com isso, o consórcio reforça sua posição entre as principais formas de aquisição no mercado brasileiro de duas rodas.