As motos até 170cc ganharam ainda mais espaço no mercado brasileiro nos últimos meses, especialmente no Paraná, onde uma mudança tributária começou a movimentar o setor de forma acelerada.
O cenário chamou atenção de fabricantes, concessionárias e consumidores, principalmente em um momento em que os modelos de baixa cilindrada seguem dominando as ruas e liderando os números de vendas no país.
Enquanto o custo de manter um veículo pesa cada vez mais no orçamento, motocicletas econômicas passaram a ser vistas como uma solução prática para mobilidade urbana, trabalho e deslocamentos diários. Além disso, benefícios fiscais recentes ajudaram a impulsionar ainda mais esse segmento.
Os números divulgados por entidades do setor mostram um crescimento expressivo no volume de emplacamentos e reforçam uma tendência que já vinha se desenhando no mercado nacional.
Mercado reage após mudança no IPVA

O Paraná registrou um forte avanço nas vendas de motocicletas de baixa cilindrada após a implementação da isenção de IPVA para modelos de até 170 cilindradas. A medida entrou em vigor em 2025 e rapidamente passou a chamar atenção dentro do setor automotivo.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, a Abraciclo, o estado comercializou 140.563 motocicletas de baixa cilindrada ao longo de 2025.
O volume representa um salto de 112,6% em comparação com 2024, quando haviam sido vendidas 66.110 unidades.
Embora o governo estadual não tenha confirmado oficialmente que o benefício tributário foi o principal responsável pelo crescimento, o aumento nas vendas aconteceu justamente após o início da isenção para motos até 170cc.
Além disso, o segmento já vinha mostrando força em várias regiões do Brasil, principalmente por conta do menor custo de aquisição e manutenção.
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Primeiros meses de 2026 mantêm ritmo acelerado
O crescimento do setor não ficou restrito ao ano passado. Os primeiros quatro meses de 2026 mostraram que o mercado segue aquecido no Paraná.
Entre janeiro e abril, foram comercializadas 58.726 motocicletas de baixa cilindrada no estado. O número praticamente encosta no total registrado durante todo o ano de 2024.
Esse desempenho reforça como os modelos compactos continuam sendo prioridade para consumidores que buscam economia no combustível, praticidade no trânsito e custos reduzidos com impostos.
Enquanto isso, fabricantes seguem ampliando suas linhas de entrada, principalmente nas categorias street, scooter e cub.
Produção nacional também avança
O crescimento das motos até 170cc também aparece nos dados da indústria nacional. Segundo a Abraciclo, o Polo Industrial de Manaus produziu 745.824 motocicletas entre janeiro e abril de 2026.
O resultado representa alta de 10,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Desse total, 581.723 unidades correspondem às motocicletas de baixa cilindrada. Na prática, isso significa que 78% da produção nacional do polo está concentrada justamente nos modelos menores.
Esse movimento mostra que as fabricantes continuam apostando fortemente nesse segmento, principalmente porque ele concentra o maior volume de vendas do país.
Por outro lado, os números divulgados pela entidade não incluem empresas que fabricam fora do Polo Industrial de Manaus, como Shineray, Mottu e Avelloz.
Fenabrave aponta alta nos licenciamentos
Outro levantamento importante também confirma o crescimento do mercado de motocicletas em 2026.
De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a Fenabrave, o Brasil registrou 782.527 motos vendidas entre janeiro e abril deste ano.
O número representa crescimento de 19,18% na comparação com o mesmo período de 2025, com acréscimo de 125.940 unidades comercializadas.
A entidade não separa os dados por cilindrada, porém as categorias City e Scooter/Cub responderam por 74,05% dos licenciamentos acumulados no período.
Grande parte desses modelos utiliza motores de baixa cilindrada, principalmente entre 110cc e 160cc, faixa que domina o mercado nacional atualmente.
Outros estados começam a seguir o mesmo caminho
Além do Paraná, outros estados também passaram a adotar políticas semelhantes de isenção para motos de baixa cilindrada.
Em São Paulo, por exemplo, a medida começou a valer em 2026. Entretanto, os resultados oficiais desse mercado ainda não foram divulgados pelas entidades do setor.
Mesmo assim, a expectativa é de que estados que oferecem redução de custos para o proprietário possam acelerar ainda mais as vendas desse tipo de motocicleta.
Isso acontece porque muitos consumidores utilizam motos pequenas tanto para transporte pessoal quanto para trabalho com entregas e aplicativos.
Motos compactas seguem dominando o mercado
O avanço das motos até 170cc mostra que o segmento continua sendo o principal motor da indústria brasileira de duas rodas.
Com preços mais acessíveis, menor consumo de combustível e custos reduzidos de manutenção, esses modelos seguem atraindo consumidores em diferentes regiões do país.
Ao mesmo tempo, benefícios fiscais como a isenção de IPVA ajudam a tornar esse tipo de motocicleta ainda mais competitivo, especialmente em estados que buscam incentivar veículos de menor custo e maior eficiência urbana.