A Ferrari prepara uma evolução importante para o GP da Itália de Fórmula 1, mas o ganho de desempenho vem acompanhado de uma decisão delicada.
A equipe já montou as novas unidades de potência de Charles Leclerc e Lewis Hamilton, desenvolvidas após receber dois tokens de atualização pelo sistema ADUO, porém ainda não sabe se poderá utilizá-las em Monza.
O novo conjunto promete aproximadamente 15 cv extras e melhorias na utilização do sistema híbrido. O problema é que, antes de entrar nos SF-26, os motores precisam concluir um rigoroso processo de validação. Qualquer falha pode obrigar a Ferrari a reiniciar os testes e adiar a estreia.
Ferrari ganha cerca de 15 cv com novo motor
A evolução da unidade de potência é uma das principais apostas da Ferrari para reduzir sua diferença em relação às equipes mais fortes.
O novo motor deve entregar aproximadamente 15 cavalos adicionais, além de trabalhar com uma curva de potência diferente.
O objetivo não é apenas aumentar o pico de desempenho. A Ferrari também busca uma entrega mais eficiente ao longo da volta e melhorias na fase de recarga do sistema híbrido.
Em Monza, essas características ganham ainda mais importância.
O circuito italiano exige longos períodos de aceleração plena e, ao mesmo tempo, apresenta desafios para a recuperação da energia necessária ao sistema elétrico.
Turbos e combustão também foram modificados na Ferrari
A Ferrari utilizou os dois tokens disponibilizados pelo sistema ADUO para trabalhar em diferentes áreas da unidade de potência.
Entre as mudanças estão alterações nos turbos Garrett e uma nova configuração da câmara de combustão.
O conjunto foi preparado para aproveitar melhor um combustível desenvolvido pela Shell e aprovado para utilização em Monza.
Assim, o ganho esperado de desempenho não vem de uma única modificação.
A evolução resulta da combinação entre combustível, combustão, turbo e gerenciamento da parte híbrida.

Problema está no tempo para validar o motor
Apesar de as unidades de Hamilton e Leclerc já estarem montadas, isso não significa que estejam prontas para correr.
O novo propulsor, identificado como 067/6, ainda precisa completar um teste de resistência antes de receber autorização definitiva.
A Ferrari exige que a unidade percorra no dinamômetro uma distância equivalente a pelo menos seis Grandes Prêmios, sem apresentar falhas de confiabilidade.
É justamente aí que aparece a principal dificuldade.
Caso algum componente apresente problema e precise de uma pequena alteração, a validação pode ser interrompida.
Dependendo da mudança, todo o processo precisa começar novamente.
Pausa de agosto complicou cronograma
O calendário também trabalhou contra a equipe italiana.
A paralisação obrigatória das atividades durante agosto fechou a fábrica de Maranello e reduziu o tempo disponível para concluir os testes.
Embora o departamento de motores possua 21 células equipadas com bancadas de testes, apenas dois ou três dinamômetros são utilizados para esse tipo de trabalho.
As restrições estão relacionadas a custos e às regras que limitam o desenvolvimento das unidades de potência.
Na prática, isso torna o processo mais demorado e deixa pouca margem para imprevistos antes do GP da Itália.
Decisão será tomada antes de Monza
A Ferrari deverá definir até o final desta semana se instalará a evolução nos carros de Lewis Hamilton e Charles Leclerc.
Caso o motor seja aprovado, os dois pilotos terão acesso ao novo conjunto já em Monza.
Se os testes apresentarem qualquer preocupação relevante, a equipe pode preferir adiar a utilização para evitar um problema de confiabilidade durante o fim de semana.
A decisão ganha ainda mais peso porque qualquer evolução precisa equilibrar desempenho e durabilidade dentro do restante da temporada.
SF-26 não chega como favorito à vitória
Mesmo com os 15 cv adicionais, a Ferrari não considera Monza uma pista naturalmente favorável ao SF-26.
No papel, as características do carro não combinam completamente com as exigências do chamado Templo da Velocidade.
Por isso, a expectativa mais imediata não é necessariamente disputar a vitória.
O objetivo será aproximar Hamilton e Leclerc da Mercedes principalmente na classificação, onde pequenos ganhos de potência podem fazer diferença.
A equipe alemã é apontada como uma das grandes referências para o fim de semana italiano.
Antonelli terá penalidade em casa
A Mercedes também terá um problema para administrar.
Kimi Antonelli receberá uma penalidade relacionada ao motor em sua corrida de casa, o que deve empurrá-lo ao menos para a 20ª posição no grid.
Isso poderá mudar parte do cenário competitivo no domingo, mesmo que a Mercedes mostre um ritmo superior ao da Ferrari durante os treinos e a classificação.
Para a equipe italiana, qualquer oportunidade de conquistar posições será importante diante de sua torcida.
Ferrari terá pintura especial em Monza
Além da possível estreia do novo motor, os SF-26 terão uma apresentação diferente.
A Ferrari prepara uma pintura comemorativa ligada à passagem de Michael Schumacher por Maranello.
Assim, a etapa italiana terá importância tanto esportiva quanto simbólica para a equipe.
Entretanto, será o desempenho da nova unidade de potência que deverá concentrar a maior atenção durante o fim de semana.
Monza pode revelar nova hierarquia dos motores
O GP da Itália também servirá como uma espécie de teste para entender o efeito das atualizações permitidas pelo ADUO.
Na última avaliação citada pela FIA, a Red Bull aparece como referência no motor de combustão interna, enquanto Mercedes, Ferrari, Honda e Audi receberam oportunidades de desenvolvimento para diminuir a diferença ao longo de 2026 e 2027.
Por isso, Monza pode oferecer uma leitura mais clara de quanto cada fabricante avançou.
Para a Ferrari, porém, existe uma etapa anterior: fazer o 067/6 sobreviver ao programa de testes.
Os 15 cv extras podem ajudar Hamilton e Leclerc a se aproximarem da Mercedes, mas somente se a equipe conseguir provar que o ganho de potência também vem acompanhado da confiabilidade necessária para colocá-lo na pista.