A quarta-feira de pré-Carnaval reúne desfiles com propostas distintas, que ocupam as ruas ao longo da tarde e da noite.
A agenda do dia combina iniciativas de forte impacto social com blocos de grande porte, que transformam avenidas centrais em espaços de celebração, identidade e pertencimento.
Blocos confirmados para quarta-feira (11/02)

Dois blocos estão previstos para sair às ruas nesta data, em horários e regiões diferentes, permitindo que o público acompanhe mais de um desfile ao longo do dia.
Bloco da Rua
Horário: 13h
Local: Rua Varginha, 215, Colégio Batista
Bloco Chama o Síndico
Horário: 16h
Local: Avenida Afonso Pena, 1377, região central
Bloco da Rua: carnaval como ação social
O Bloco da Rua surge a partir de iniciativas carnavalescas promovidas pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), em parceria com o Centro Pop Miguilim, Centros Pop adultos e pessoas em situação de rua.
Desde 2021, o bloco ocupa o espaço público como ferramenta de visibilidade, valorização cultural e afirmação de direitos. A proposta vai além da festa, ao reforçar o protagonismo da população em situação de rua e o direito à cidade.
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O desfile reúne profissionais da assistência social, usuários dos serviços, gestores públicos e representantes da sociedade civil. A presença coletiva transforma o carnaval em um ato de inclusão, diversidade e proteção social.
Chama o Síndico leva o tema África Brasil para a avenida
O Chama o Síndico retorna ao Carnaval de 2026 com um espetáculo que combina música e luz, ocupando novamente a Avenida Afonso Pena na tradicional quarta-feira de pré-Carnaval. O desfile acontece no dia 11 de fevereiro, em frente ao Palácio das Artes.
Neste ano, o bloco apresenta o tema Universo África Brasil, inspirado nos 50 anos do álbum África Brasil, de Jorge Ben Jor. A proposta amplia o olhar para a relação histórica, cultural e estética que estrutura a cultura brasileira.
A conexão entre África e Brasil aparece de forma direta no repertório e na formação musical do bloco. Ritmos como samba, frevo, soul, hip hop, congado, ijexá, funk e pagodão convivem sem hierarquia.
Essa diversidade reflete uma lógica presente nas ruas e nos territórios populares, onde as influências se misturam naturalmente. A ideia de que a música brasileira nasce de matrizes afro-brasileiras orienta todo o espetáculo.
Ao longo de sua trajetória, o Chama o Síndico construiu uma relação própria com a ideia de homenagem.
A evocação de Tim Maia e Jorge Ben Jor não segue um tom nostálgico, mas afirma a permanência de artistas negros que transformaram tensão social em linguagem popular.
Segundo Juventino Dias, um dos fundadores do bloco, a música apresentada no desfile não atua como ornamento. Ela afirma identidade, corpo e história, colocando no centro aquilo que sempre sustentou a cultura brasileira, mesmo quando ficou fora do discurso dominante.






