Lewis Hamilton se posicionou contra a proposta de reduzir a distância das corridas da Fórmula 1 a partir de 2027. Para o piloto da Ferrari, a categoria deveria seguir justamente pelo caminho contrário e tornar os GPs ainda mais longos e exigentes.
A Comissão de Fórmula 1 aprovou a redução da distância padrão de 305 para 290 quilômetros, o que representa aproximadamente duas ou três voltas a menos dependendo do circuito. A mudança ainda precisa passar pela aprovação final do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA.
Hamilton prefere corridas mais longas
Questionado sobre a novidade antes do GP do Azerbaijão, Hamilton afirmou não enxergar necessidade de diminuir a duração das provas.
Na avaliação do heptacampeão, os pilotos atualmente conseguem enfrentar muitas corridas sem chegar ao limite físico que já foi visto em outros períodos da categoria.
Hamilton também utilizou o GP do Azerbaijão como exemplo.
A Pirelli disponibilizou os compostos C3, C4 e C5 para Baku e a expectativa é de uma corrida com apenas uma parada, principalmente pela baixa degradação dos pneus.
Para o britânico, compostos capazes de completar stints muito longos tornam algumas provas menos exigentes do ponto de vista físico.
Por isso, em vez de retirar voltas, Hamilton gostaria que algumas etapas fossem ampliadas.

Mudança está ligada às unidades de potência
A redução planejada para 2027 está relacionada às mudanças no funcionamento das novas unidades de potência.
O equilíbrio entre a parte elétrica e o motor a combustão será alterado, com maior participação do propulsor térmico. A divisão deverá passar para 58% a combustão e 42% elétrica em 2027, avançando para 60% e 40%, respectivamente, em 2028.
Com maior utilização do motor a combustão, o consumo de combustível também cresce.
Uma alternativa seria aumentar a capacidade dos tanques, mas isso exigiria alterações maiores nos carros. Como as equipes pretendem preservar boa parte dos projetos desenvolvidos para 2026, a diminuição da distância das corridas aparece como uma solução para administrar essa necessidade adicional de combustível.
Pilotos deveriam chegar mais perto do limite
Hamilton acredita que o desafio físico e mental é uma das características que diferenciam a Fórmula 1.
O britânico citou corridas disputadas sob calor intenso, como Singapura, como exemplos de provas nas quais os pilotos realmente precisam administrar o desgaste durante toda a distância.
Ele também destacou a Malásia como uma etapa que deverá ser particularmente exigente pelas condições climáticas.
Na visão de Hamilton, esse tipo de desafio faz parte da identidade da categoria e deveria ser preservado.
Hamilton lembra temporadas mais exigentes
Ao comparar diferentes momentos da carreira, o piloto apontou seu primeiro ano na Fórmula 1 como particularmente cansativo pela necessidade de adaptação.
Hamilton também destacou 2020, temporada em que os carros tinham grande carga aerodinâmica e velocidades muito altas nas curvas, aumentando as forças sofridas pelo corpo.
O britânico ainda aproveitou para criticar algumas mudanças realizadas nos circuitos ao longo dos anos.
Segundo ele, áreas de escape maiores diminuíram parte da consequência de determinados erros. Hamilton afirmou sentir falta de pistas com mais grama e brita, nas quais os pilotos precisavam avaliar melhor os riscos antes de ultrapassar o limite.
Por isso, para o piloto da Ferrari, reduzir as corridas em 2027 vai na direção oposta do que ele gostaria de ver na Fórmula 1.