A Mercedes voltou a ocupar o centro da Fórmula 1 em 2026 depois de atravessar quatro temporadas bem mais complicadas. O domínio nas primeiras etapas não surgiu por acaso: segundo James Allison, diretor técnico da equipe, a preparação para a nova geração de carros começou anos antes da mudança de regulamento.
O resultado aparece diretamente na classificação. Após 11 etapas, a Mercedes lidera os dois campeonatos, soma oito vitórias e dez poles e abriu 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari no Mundial de Construtores. Para Allison, porém, a parte mais importante foi entender com antecedência que 2026 poderia redefinir a hierarquia da categoria.
Mercedes tratou 2026 como oportunidade para mudar de patamar
A mudança profunda do regulamento foi vista internamente como uma chance de começar um novo ciclo.
James Allison explicou que a equipe discutia há anos a importância de aproveitar uma alteração tão grande nas regras. A visão era simples: quem conseguisse interpretar melhor o regulamento desde o início poderia construir uma vantagem não apenas para uma temporada, mas para vários campeonatos.
Por isso, a preparação para 2026 começou muito antes de o W17 chegar às pistas.
A estratégia ganhou ainda mais peso porque a Mercedes vinha de um período distante do domínio apresentado anteriormente.
Entre 2022 e 2025, sob o regulamento baseado no efeito-solo, foram apenas sete vitórias em 92 corridas.
Em 2023, a situação chegou ao ponto de a equipe passar toda a temporada sem vencer uma única prova.

W17 mostrou força logo na estreia
Se havia dúvidas sobre a eficiência do projeto, elas diminuíram rapidamente no GP da Austrália.
Na abertura da temporada, George Russell e Kimi Antonelli garantiram uma dobradinha, colocando a Mercedes imediatamente como referência da nova era.
Depois disso, Antonelli transformou o bom começo em uma sequência ainda mais forte.
O italiano venceu cinco corridas consecutivas entre os GPs da China e de Mônaco, construindo boa parte da vantagem que mantém atualmente no Mundial de Pilotos.
Após 11 etapas, Antonelli soma 219 pontos.
Lewis Hamilton aparece na segunda posição, 50 pontos atrás, enquanto Russell é o terceiro colocado com 160 pontos.
Assim, a Mercedes não apenas lidera o campeonato de equipes como também mantém dois pilotos entre os três primeiros.
Oito vitórias e dez poles mostram vantagem
Os números ajudam a entender o impacto da estratégia.
Nas primeiras 11 corridas, a Mercedes conquistou oito vitórias e dez pole positions.
Além disso, abriu 72 pontos sobre a Ferrari no Mundial de Construtores.
É uma mudança significativa quando comparada aos resultados obtidos durante a fase anterior do regulamento.
A equipe passou quatro temporadas tentando recuperar o caminho depois de perder a referência técnica que havia marcado seus anos de maior domínio.
Com o novo conjunto de regras, porém, a Mercedes conseguiu começar à frente.
Esse era justamente o cenário imaginado pela equipe durante os anos de preparação.
Allison acreditava que vantagem inicial poderia durar anos
A lógica interna da Mercedes não estava limitada a ganhar as primeiras corridas de 2026.
Segundo Allison, mudanças tão grandes de regulamento costumam criar oportunidades para estabelecer uma vantagem de longo prazo.
Quando uma equipe começa uma nova era entendendo melhor o carro e os conceitos técnicos disponíveis, os rivais precisam trabalhar não apenas para evoluir, mas também para recuperar o terreno perdido.
Foi pensando nisso que a Mercedes colocou grande parte de seus esforços no projeto antes mesmo da estreia.
O objetivo era chegar à primeira corrida com um pacote competitivo e usar essa base para permanecer entre as referências durante as temporadas seguintes.
Mercedes não teve tempo para comemorar a vantagem
Apesar de o desempenho inicial ter confirmado boa parte das expectativas, Allison afirmou que a rotina da Fórmula 1 não oferece espaço para comemorações prolongadas.
Chegar a Melbourne com um carro competitivo trouxe satisfação para quem trabalhou durante anos no projeto.
No entanto, assim que a primeira corrida terminou, a equipe já precisou direcionar suas atenções para a etapa seguinte.
Essa lógica se repetiu ao longo da temporada.
Cada fim de semana traz um novo circuito, problemas diferentes e rivais tentando diminuir a distância.
Por isso, mesmo com os números favoráveis, o foco continua na execução.
Mercedes quer transformar preparação em título
O começo de 2026 mostra que o planejamento funcionou.
Depois de quatro anos difíceis, a Mercedes voltou à liderança justamente quando a Fórmula 1 iniciou uma nova geração técnica.
O W17 venceu oito das primeiras 11 corridas, conseguiu dez poles e colocou Antonelli na liderança do campeonato.
Ao mesmo tempo, a equipe mantém 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari entre os construtores.
Para James Allison, esse cenário é consequência direta de uma decisão tomada muito antes de 2026: tratar a mudança de regulamento como uma oportunidade capaz de determinar vários anos da Fórmula 1.
Agora, o desafio é transformar essa vantagem inicial em títulos e impedir que os rivais alcancem o ritmo da Mercedes na segunda metade da temporada.