A presença das marcas chinesas no Brasil está entrando em uma etapa mais ampla. Depois do crescimento de BYD e GWM e da chegada de empresas como GAC, Geely, MG Motor, Omoda Jaecoo, Jetour e Leapmotor, novos grupos já organizam redes de lojas, produtos e possíveis operações industriais.
Os projetos estão em fases diferentes. Algumas fabricantes já definiram modelos e datas de estreia, enquanto outras ainda negociam fábricas, selecionam concessionários ou realizam testes no país.
Nova leva chinesa terá elétricos, híbridos e marcas de luxo
As próximas estreantes não seguirão uma única estratégia. Há planos para hatches elétricos, SUVs híbridos, modelos de alto desempenho e veículos voltados ao segmento premium.
Além disso, parte dessas empresas pretende aproveitar estruturas já existentes no Brasil, reduzindo os custos necessários para iniciar a operação.
Baic
A Baic planeja começar sua trajetória brasileira com pelo menos três modelos: Arcfox T1, Beijing X55 e BJ30. As primeiras lojas estavam previstas para João Pessoa, Recife e Natal, com estreia inicialmente programada para o segundo semestre de 2026.
O Arcfox T1 é um hatch elétrico de 4,34 metros, motor de 95 cv e bateria de 42,4 kWh. Na China, a autonomia declarada chega a 400 km, embora o resultado brasileiro dependa da homologação do Inmetro.
Já o X55 utiliza motor 1.5 turbo de 188 cv e câmbio de dupla embreagem com sete marchas. O BJ30 aposta em uma proposta mais robusta e poderá chegar com sistema híbrido de até 409 cv.
DFM
A Dongfeng usará o nome DFM no Brasil. Sua estreia comercial está prevista para o Festival Interlagos, entre 27 e 30 de agosto de 2026.
O primeiro lançamento será o DFM Box, hatch elétrico com motor de 95 cv, porta-malas de 326 litros e compartimento dianteiro de 26 litros. A bateria esperada possui 42,3 kWh.
Depois, a empresa pretende lançar o SUV elétrico Vigo. Paralelamente, negocia uma operação industrial no país, com produção nacional projetada até 2028.

Lynk & Co
A Lynk & Co pertence ao Grupo Geely e deverá iniciar as vendas brasileiras em 2027, utilizando concessionárias da Zeekr.
O primeiro modelo esperado é o elétrico Lynk & Co 02, que compartilha arquitetura com Volvo EX30 e Zeekr X. A configuração internacional possui 380 cv e acelera de zero a 100 km/h em 5,3 segundos.
Outro produto será o 08, SUV híbrido plug-in de 4,82 metros. Sua versão mais potente entrega 593 cv, 92,2 kgfm e autonomia elétrica de até 200 km no ciclo WLTP.
IM
A IM será posicionada como a marca de luxo do Grupo SAIC, acima da MG Motor.
O primeiro modelo confirmado é o IM6, SUV elétrico que pode entregar 751 cv e 80,2 kgfm. Na configuração mais potente, a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 3,5 segundos.
Dependendo da versão, a autonomia pode alcançar 624 km pelo ciclo WLTP. Ainda não existe uma data definitiva para o início das vendas.

Lepas
A Lepas ficará sob o comando da Omoda Jaecoo no Brasil e iniciará suas atividades no segundo trimestre de 2027.
Três SUVs estão confirmados: L4, L6 e L8. O maior deles mede 4,69 metros e possui 2,80 m de entre-eixos.
O conjunto híbrido plug-in previsto para o L8 promete até 107 km de autonomia elétrica e alcance combinado próximo de 1.300 km nos ciclos internacionais.
Concorrência chinesa ficará ainda mais intensa
A nova onda de fabricantes mostra que o avanço chinês no Brasil não ficará restrito a BYD e GWM. Baic, DFM, Lynk & Co, IM e Lepas já possuem projetos em andamento, embora estejam em estágios diferentes.
Ainda faltam confirmações sobre preços, versões e redes de concessionárias. Mesmo assim, os planos revelam uma disputa que deverá crescer a partir de 2027, especialmente entre elétricos, híbridos e SUVs mais sofisticados.