As discussões sobre o futuro das unidades de potência da Fórmula 1 ganharam um novo capítulo com o posicionamento da Audi.
A fabricante alemã reforçou que prefere manter a estabilidade das regras atuais, aumentando as dificuldades para uma possível alteração na divisão de potência entre os sistemas elétrico e a combustão a partir de 2027.
O tema tem sido debatido nos bastidores há meses e envolve diretamente o futuro de algumas equipes e pilotos, incluindo Max Verstappen, que vê a mudança como um fator importante para os próximos anos da categoria.
Debate sobre motores segue aberto na Fórmula 1
Atualmente, existe um entendimento inicial para manter a divisão de potência prevista no regulamento de 2026, baseada em uma repartição de 50% para o motor a combustão e 50% para a parte elétrica.
Entretanto, alguns setores da categoria defendem uma mudança para um modelo 60/40, aumentando novamente a participação do motor a combustão.
A proposta ainda está sendo analisada pelos fabricantes envolvidos no desenvolvimento das futuras unidades de potência.
Audi demonstra preocupação com alterações
Entre as montadoras que demonstram resistência à mudança estão Audi e Ferrari.
A Cadillac, que utilizará motores Ferrari, também acompanha as discussões com atenção.
Como qualquer modificação relevante no regulamento precisa do apoio de quatro dos cinco fabricantes participantes, a posição contrária de Audi e Ferrari reduz significativamente as chances de aprovação da proposta.
CEO da Audi defende estabilidade das regras
Questionado sobre o tema, o CEO da Audi, Gernot Dollner, deixou clara a visão da fabricante para os próximos anos.
“Nossa perspectiva é realmente ter estabilidade nesse sentido. Essa é nossa visão clara ao entrarmos [no esporte], essa é uma razão, e a outra é que precisamos ser eficientes em termos de custos.”
A declaração reforça a estratégia adotada pela marca alemã desde o anúncio de sua entrada oficial na Fórmula 1.

Fabricante acredita que desenvolvimento está no caminho correto
Segundo Dollner, a Audi está satisfeita com o cenário atual e com a evolução alcançada pelo projeto até o momento.
O executivo destacou que a montadora partiu de uma posição diferente em relação aos concorrentes mais tradicionais da categoria.
“Nossa trajetória de inovação é talvez um pouco mais íngreme porque começamos de um patamar mais baixo e, nessa trajetória, estamos satisfeitos com a estabilidade.”
A avaliação interna é que mudanças significativas neste momento poderiam impactar o planejamento realizado nos últimos anos.
Audi acredita em consenso entre fabricantes
Apesar das divergências existentes, a fabricante alemã acredita que os envolvidos encontrarão uma solução que atenda aos interesses da categoria.
Dollner demonstrou confiança no processo conduzido pelos fabricantes e pela Fórmula 1.
“O processo está em andamento e está em boas mãos”, disse ele.
“Fazemos parte desse processo junto com os outros fabricantes de motores, e acredito que em 2027 haverá uma boa solução em vigor.”
Definição pode impactar o futuro da categoria
A discussão sobre o regulamento dos motores é considerada uma das mais importantes dos últimos anos dentro da Fórmula 1.
Além dos aspectos técnicos, a decisão também influencia investimentos, custos de desenvolvimento e estratégias de longo prazo das equipes e fabricantes.
Com Audi e Ferrari defendendo a manutenção das regras atuais, o cenário aponta para uma forte resistência a mudanças significativas antes da entrada em vigor do novo ciclo regulamentar, previsto para começar em 2026 e seguir nos anos seguintes.