O setor de mobilidade voltado para entregadores está entrando em uma nova fase no Brasil.

Empresas que trabalham com aluguel de motocicletas começam a investir pesado em motos elétricas, ampliando a oferta de veículos voltados para quem utiliza a moto como ferramenta de trabalho.

A ideia é simples: oferecer motocicletas prontas para rodar, com manutenção e seguro incluídos, reduzindo o custo inicial para quem trabalha com entregas.

Esse modelo tem crescido nas grandes cidades e deve ganhar ainda mais força nos próximos anos.

Vammo CPX – Foto divulgação

Nova produção de motos elétricas deve acelerar o mercado

Um dos movimentos mais recentes envolve a ampliação da produção nacional de motocicletas elétricas.

A empresa Vammo, que atua com locação de motos, anunciou um plano para aumentar significativamente sua frota até o final de 2026.

Hoje a operação conta com cerca de 5 mil motos elétricas em circulação. Com a nova estratégia, a expectativa é ampliar esse número com a produção de 15 mil unidades na Zona Franca de Manaus.

Se a meta for alcançada, esse volume representará a maior produção anual de motos elétricas já registrada no Brasil.

Para ter uma ideia do tamanho desse avanço, em 2025 foram emplacadas 8.552 motos elétricas no país, considerando todas as marcas, segundo dados da Fenabrave.

Empresa entra na disputa com modelo semelhante ao da Mottu

O modelo de negócio segue uma lógica já conhecida por muitos entregadores.

A Vammo atua com aluguel por assinatura, formato no qual o usuário paga uma mensalidade para utilizar a motocicleta.

Nesse pacote normalmente estão incluídos:

  • uso da moto
  • manutenção preventiva
  • seguro
  • acesso à infraestrutura de recarga

Esse sistema coloca a empresa como concorrente direta da Mottu, que atualmente lidera o mercado brasileiro de locação de motos para entregadores.

A diferença é que a estratégia da Vammo está fortemente baseada em motos elétricas, enquanto outras empresas do setor reduziram a aposta nesse tipo de tecnologia devido aos custos.

Vammo – Foto: divulgação

Infraestrutura de troca de baterias faz parte do plano

Outro ponto importante do projeto é a expansão da infraestrutura energética.

A empresa pretende chegar a cerca de 500 estações de troca de baterias até o final de 2026.

Esse sistema permite que o motociclista substitua rapidamente uma bateria descarregada por outra já carregada.

Na prática, o processo leva poucos minutos e reduz o tempo parado durante o trabalho.

Atualmente, toda a operação da empresa está concentrada na cidade de São Paulo e na região metropolitana.

Produção acontecerá na Zona Franca de Manaus

A fabricação das motos será realizada em Manaus, em parceria com o Grupo DBS, responsável pela operação industrial na região.

O grupo também atua na Zona Franca em cooperação com a marca Moto Morini na montagem de motocicletas.

O projeto prevê um investimento de aproximadamente R$ 300 milhões ao longo dos próximos dois anos.

Além da ampliação da produção, parte desses recursos será destinada ao desenvolvimento de tecnologias relacionadas à recarga de veículos elétricos.

A iniciativa também deve gerar cerca de 200 novos empregos diretos na região amazônica, ligados às atividades industriais e operacionais.

Modelos elétricos escolhidos para o projeto

As motocicletas que serão produzidas em Manaus já foram definidas.

Os modelos confirmados são:

  • CPX
  • CPX Comfort

Ambos foram desenvolvidos pela fabricante chinesa VMoto.

A versão CPX Comfort traz evolução em relação ao modelo original, com 23% mais potência e melhorias no torque.

Essas mudanças ajudam a melhorar o desempenho em ladeiras e garantem funcionamento mais estável durante jornadas urbanas mais longas.

Estrutura pensada para quem trabalha com entregas

Todo o modelo de operação foi estruturado pensando no uso profissional.

O entregador paga uma mensalidade que inclui praticamente todos os custos de uso da moto.

Além disso, a rede de troca de baterias permite substituir rapidamente a bateria descarregada, evitando longos períodos de recarga.

Esse sistema busca manter a moto sempre disponível para trabalho, reduzindo o tempo parado durante o dia.

Como vimos acima, o avanço das motos elétricas no setor de entregas mostra que o mercado de mobilidade urbana continua em transformação.

Com produção nacional, investimento de R$ 300 milhões e expansão da infraestrutura de baterias, novas opções de motos devem chegar para entregadores nos próximos anos.

Esse movimento também aumenta a disputa entre empresas que oferecem aluguel de motocicletas para trabalho, um segmento que cresce rapidamente nas grandes cidades brasileiras.


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