A Honda Falcon 400 é um dos nomes mais emblemáticos do motociclismo nacional, mantendo uma legião de fãs mesmo anos após o fim de sua produção.
Originalmente lançada para substituir a descontinuada Sahara 350, a NX4 tornou-se um ícone de versatilidade.
Contudo, com o mercado de usados aquecido em 2026, surge a dúvida inevitável: investir até R$ 22 mil em um projeto veterano ainda é uma decisão racional ou apenas emocional?
O peso do nome: A trajetória da NX4 no Brasil

Dividida em duas fases distintas, a trajetória da Falcon no país começou em 1999, seguindo até 2008 com a configuração carburada. Após um hiato, a Honda trouxe a segunda geração (NX 400i) entre 2012 e 2015, já equipada com injeção eletrônica.
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Embora o visual tenha recebido atualizações pontuais na segunda fase, a essência mecânica permaneceu focada no torque em baixas rotações e no conforto para encarar as irregularidades do asfalto brasileiro.
Radiografia mecânica: Desempenho e números reais
Para entender se a Honda Falcon 400 ainda entrega o que promete, precisamos olhar para os dados técnicos.
O propulsor de 397 cm³ com radiador de óleo é conhecido pela robustez, mas apresenta números que mostram a idade do projeto frente às normas ambientais atuais.
- Potência e Torque: Na primeira geração, a moto entregava 30,6 cv. Com a chegada da injeção eletrônica em 2012, a potência caiu para 28,7 cv para se adequar às emissões, mantendo o torque na casa dos 3,5 kgf.m.
- Velocidade e Câmbio: Com transmissão de 5 marchas, a velocidade máxima real gira em torno de 140 km/h. É uma moto de cruzeiro confortável a 110 km/h, mas que sente a falta de uma sexta marcha em rodovias.
- Ciclista: O destaque vai para as suspensões de longo curso (226 mm na dianteira) e a altura do solo de 233 mm, que permitem transpor obstáculos urbanos com extrema facilidade.
Consumo e autonomia: O calcanhar de Aquiles da Falcon

Se você busca economia extrema, a Falcon pode decepcionar. Conhecida historicamente como “beberrona”, as médias de consumo variam significativamente entre as versões:
- Versão Carburada (até 2008): Faz entre 15 km/l (cidade) e 21 km/l (estrada).
- Versão Injetada (2012-2015): Melhora ligeiramente, alcançando 18 km/l no ciclo urbano e até 23 km/l em viagens, dependendo da mão do piloto.
Com um tanque de 15,3 litros, a autonomia média é de aproximadamente 300 km, o que é satisfatório para viagens de médio curso, mas exige paradas frequentes se comparada às trails modernas de 250/300cc.
Tabela Fipe e Mercado: Quanto custa a lenda em 2026?
Atualmente, o mercado de usados precifica a Falcon de forma estratificada. Modelos 2008, que encerram a fase carburada, possuem valor médio de R$ 17.410. Já as unidades mais novas da segunda geração, como o modelo 2015, encostam nos R$ 22.898.
É neste ponto que o custo-benefício precisa ser analisado com lupa. Por valores próximos de R$ 21.000 a R$ 23.000, o comprador encontra modelos como a XRE 300 (ano 2018), que já oferece freios ABS, iluminação em LED e um consumo de combustível consideravelmente menor (beirando os 30 km/l).
Vale o investimento? O veredito sobre a Falcon 400
Comprar uma Honda Falcon 400 por até R$ 22 mil compensa apenas sob condições específicas.
Se você valoriza a robustez mecânica simples, o torque imediato de uma 400cc e o conforto superior do banco largo, ela continua sendo uma excelente companheira.
Entretanto, para quem prioriza tecnologia de segurança (como o ABS, ausente na Falcon) e eficiência energética, modelos mais recentes de menor cilindrada podem ser compras mais inteligentes.
A Falcon é uma moto para quem entende sua proposta: uma trail “old school” potente, confortável, mas que demanda uma manutenção preventiva rigorosa e aceita pagar mais no posto de combustível em troca de estilo e história.


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