A Honda vive um momento raro em sua história recente. A montadora japonesa registrou prejuízo bilionário global, algo que não acontecia há décadas, acendendo um alerta importante no mercado automotivo.
Mas, ao mesmo tempo, um mercado específico segue sustentando os resultados da empresa.
Qual é o tamanho do prejuízo da Honda?
Segundo informações da Reuters, a Honda projeta uma perda anual de US$ 3,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 18,5 bilhões.
O impacto está diretamente ligado à reestruturação da estratégia de veículos elétricos, que envolveu um investimento de US$ 15,7 bilhões.
A mudança foi tão drástica que a empresa decidiu cancelar três projetos importantes que seriam produzidos nos Estados Unidos: o Honda 0 SUV, o Honda 0 Saloon e o Acura RSX.
A decisão reflete uma mudança no cenário global. A demanda por carros elétricos perdeu força em alguns mercados, o que tornou mais difícil sustentar a rentabilidade nesse segmento.
O próprio CEO da Honda, Toshihiro Mibe, admitiu que o cenário atual dificulta manter os planos originais da empresa.
Como resposta, executivos da montadora decidiram reduzir os próprios salários. O
presidente e o vice-presidente terão cortes de 30% por três meses, enquanto outros executivos terão reduções próximas de 20%.
Além disso, o impacto no mercado financeiro foi imediato. As ações da Honda chegaram a cair cerca de 8% nas negociações antes da abertura da bolsa nos Estados Unidos.
A projeção também surpreendeu analistas. Antes, a expectativa era de lucro próximo de US$ 3 bilhões, o que mostra o tamanho da virada no cenário da empresa.
Brasil e motos seguram a Honda no positivo
Se por um lado os carros elétricos trouxeram prejuízo, por outro, o mercado de motos segue como um dos pilares da Honda, especialmente no Brasil.

Mesmo com uma leve queda no volume de fevereiro em relação a janeiro, o setor de duas rodas continua em alta no acumulado do ano.
Segundo dados da Fenabrave, mais de 350 mil motos foram emplacadas nos dois primeiros meses de 2026, o que representa crescimento de 13,7% em comparação com o mesmo período de 2025.
Só em fevereiro, foram cerca de 171,5 mil unidades vendidas, número quase 10% maior do que no mesmo mês do ano passado.
E nesse cenário, a Honda segue dominante.
A marca colocou oito modelos entre as dez motos mais vendidas do país, consolidando uma participação superior a 65% no mercado nacional de duas rodas. Para efeito de comparação, a Yamaha aparece bem atrás, com cerca de 13,6%.

Ranking mostra domínio absoluto
A liderança é puxada por modelos já conhecidos do público brasileiro.
A Honda CG 160 segue isolada na primeira posição, com 36.155 unidades vendidas.
Logo atrás aparece a Honda Biz, com 20.491 unidades, seguida pela Honda Pop 110i, com 18.620.
Outros modelos da marca também aparecem com força, como NXR 160, CB 300F, XRE 190, PCX 160 e XRE 300.
O único “intruso” relevante no topo da lista é a Mottu Sport 110i, que aparece na quinta posição com 9.980 unidades, mostrando que novas propostas começam a ganhar espaço.
O que explica esse contraste
Enquanto os carros elétricos enfrentam incertezas e mudanças no cenário global, o mercado de motos no Brasil segue aquecido por fatores bem claros.
O alto custo dos automóveis, o trânsito nas grandes cidades e o crescimento do uso da moto como ferramenta de trabalho impulsionam a demanda.
Além disso, o perfil do consumidor brasileiro favorece modelos mais acessíveis, econômicos e de manutenção simples, exatamente onde a Honda é mais forte.
E você, como avalia esse cenário? Comente!


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