A discussão sobre o futuro dos motores da Fórmula 1 ganhou um novo capítulo após as recentes declarações do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem.
Enquanto o paddock debate mudanças nos regulamentos atuais, a possibilidade do retorno dos motores V8 até 2031 começa a provocar reflexos importantes entre as equipes.
Um dos cenários levantados envolve justamente a McLaren Racing. Segundo Ben Sulayem, a equipe britânica poderia até mesmo abandonar o papel de cliente e passar a produzir sua própria unidade de potência no futuro.
A hipótese ganhou ainda mais força depois das declarações de Zak Brown, que admitiu que a equipe avaliaria essa possibilidade caso o projeto se torne financeiramente viável.
Debate sobre motores continua crescendo na Fórmula 1
O atual regulamento da Fórmula 1 segue sendo alvo de críticas desde sua introdução em 2026.
A divisão quase equilibrada entre potência elétrica e motor de combustão provocou reclamações de pilotos por causa da perda de desempenho nas retas e da necessidade constante de gerenciamento de energia.
Diante desse cenário, o retorno dos motores V8 passou a ganhar apoio dentro do paddock.
Mohammed Ben Sulayem afirmou recentemente que acredita na volta desse tipo de motor até 2031.
Além disso, o dirigente sugeriu que a McLaren poderia aproveitar a mudança para produzir suas próprias unidades de potência.
“Acredito que, quando a introduzirmos, até a McLaren vai fabricar seu próprio motor”, declarou Ben Sulayem.
Presidente da FIA vê McLaren como futura fabricante
Segundo o presidente da FIA, a complexidade dos motores atuais afastou equipes independentes da fabricação própria.
“Eles não iriam recorrer a terceiros. O fato de agora estarem recorrendo a terceiros para fabricá-lo se deve ao fato de ser uma unidade complicada”, afirmou.
Ben Sulayem ainda explicou que, na visão dele, a McLaren optou por comprar motores prontos justamente pelo alto custo e dificuldade técnica do atual regulamento híbrido.
“Eles disseram: ‘É melhor comprarmos o que está disponível do que lançarmos um novo motor’”, acrescentou.
Hoje, a McLaren utiliza unidades de potência fornecidas pela Mercedes AMG High Performance Powertrains.
Zak Brown admite possibilidade futura
Zak Brown não descartou totalmente a ideia de um motor próprio, mas deixou claro que a McLaren segue satisfeita com a parceria atual.
“Acho que, se houvesse uma fórmula de motor que fosse financeiramente viável, sim, consideraríamos isso e a tecnologia”, afirmou.
Mesmo assim, o dirigente reforçou o bom relacionamento com a Mercedes.
“Dito isso, não poderíamos estar mais satisfeitos com a Mercedes”, explicou.
Segundo Brown, qualquer decisão futura dependeria principalmente da viabilidade financeira e técnica do projeto.
CEO da McLaren defende atual regulamento
Apesar das críticas de pilotos e equipes aos motores atuais, Zak Brown afirmou que o espetáculo da Fórmula 1 continua funcionando bem para o público.
“Se você não ouvisse os pilotos e estivesse apenas assistindo pela TV, o produto televisivo é excelente”, comentou.
O dirigente também destacou o equilíbrio recente das corridas.
“Há ultrapassagens, cinco líderes diferentes em Miami, disputas pela liderança, então acho que os fãs assistindo à corrida pensam: ‘Essa é uma corrida empolgante pra caramba’”, afirmou.
Brown ainda comparou o gerenciamento de bateria atual com outros elementos estratégicos já tradicionais da Fórmula 1.
“Talvez não cheguemos a um cenário perfeito, mas sempre existiu gerenciamento de regras, gerenciamento de pneus — e agora há gerenciamento de bateria”, explicou.
Retorno dos V8 ainda depende de negociações
Embora o debate esteja crescendo rapidamente dentro da Fórmula 1, ainda não existe definição oficial sobre o retorno dos motores V8.
Entre os temas que seguem sendo discutidos estão:
- Uso de combustíveis sustentáveis
- Redução da dependência elétrica
- Custos de desenvolvimento
- Interesse dos fabricantes
- Peso dos carros
Enquanto isso, o assunto continua movimentando bastidores políticos e técnicos da categoria, com equipes e dirigentes tentando definir qual será o futuro da Fórmula 1 na próxima década.