A realização do MotoGP em Goiânia no fim dos anos 1980 aconteceu em um cenário tecnológico completamente diferente do atual.
Em uma época sem internet, celulares ou redes digitais, a organização precisou lidar com um problema curioso: a falta de orelhões adequados para atender equipes, jornalistas e pilotos estrangeiros.
A situação chegou a colocar em risco a comunicação internacional durante o evento e exigiu soluções emergenciais para garantir a cobertura da corrida.
O episódio marcou a história do motociclismo no Brasil e ajuda a entender como era complexa a logística de um Grande Prêmio de MotoGP no país antes da era digital.
Um GP em tempos sem internet ou celulares

Quando Goiânia recebeu sua primeira etapa do campeonato mundial de motovelocidade, em 1987, o trabalho da imprensa era muito diferente do que se vê hoje.
Sem computadores conectados à internet, jornalistas produziam seus textos utilizando máquinas de escrever.
Depois de prontos, os conteúdos eram enviados para redações no Brasil e no exterior por meio de equipamentos como o telex, tecnologia utilizada para transmitir mensagens escritas por linhas telefônicas.
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Fotografias também levavam tempo para chegar às redações. O envio era feito com um sistema chamado telefoto, que transmitia imagens por telefone, mas o processo era lento e exigia paciência dos profissionais.
Na prática, cobrir um GP exigia muito mais planejamento e infraestrutura do que hoje.
O problema inesperado: poucos orelhões no autódromo
Um dos maiores desafios enfrentados na época foi algo que hoje parece simples: a comunicação telefônica internacional.
Enquanto no Brasil os telefones públicos ainda utilizavam fichas, pilotos e jornalistas estrangeiros já estavam acostumados com o uso de cartões telefônicos, mais comuns na Europa e nos Estados Unidos.
Isso gerou um problema imediato.
Sem equipamentos compatíveis com o padrão utilizado por estrangeiros, equipes e profissionais da imprensa encontraram dificuldades para fazer ligações internacionais.
A organização do evento precisou agir rapidamente para atualizar parte da estrutura de comunicação do autódromo.
A adaptação foi fundamental para evitar que o evento enfrentasse ainda mais obstáculos logísticos.
Sala de imprensa improvisada no autódromo
Outro ponto curioso da primeira edição do GP em Goiânia foi a estrutura destinada aos jornalistas.
A sala de imprensa funcionava em um espaço improvisado dentro do bloco central do autódromo. Não havia computadores, redes de dados ou qualquer tipo de conexão digital.
Todo o processo de produção de notícias era manual. Entre escrever textos, enviar resultados e transmitir fotos, os jornalistas enfrentaram um ritmo de trabalho muito mais lento que o atual.
Hoje, por outro lado, a cobertura de MotoGP envolve internet de alta velocidade, transmissões ao vivo, redes sociais e atualizações em tempo real.
Acesso livre aos pilotos era comum na época

Se a tecnologia era limitada, por outro lado havia uma vantagem que praticamente desapareceu no esporte moderno: o acesso direto aos pilotos.
Nos anos 1980, jornalistas circulavam com relativa liberdade dentro dos boxes e podiam conversar diretamente com os competidores.
Esse contato próximo permitia entrevistas espontâneas com alguns dos maiores nomes da motovelocidade da época, como:
- Eddie Lawson
- Randy Mamola
- Freddie Spencer
Esse tipo de proximidade seria praticamente impossível no cenário atual do MotoGP, onde o acesso aos pilotos é controlado por equipes, assessorias e credenciais específicas.
Freddie Spencer e a curiosa entrevista bilíngue
Um dos episódios mais curiosos daquela época envolveu o piloto Freddie Spencer, um dos grandes nomes da motovelocidade nos anos 1980.
Durante uma entrevista, um jornalista brasileiro combinou previamente com o piloto a dinâmica da conversa: as perguntas seriam feitas em português e Spencer responderia em inglês.
O acordo permitiu que a entrevista acontecesse sem dificuldades, mesmo com a barreira do idioma. O episódio se tornou uma lembrança curiosa das coberturas daquele período.
Naquele mesmo GP, Spencer também protagonizou um feito marcante ao vencer duas categorias diferentes, 250cc e 500cc.
MotoGP cresceu e se tornou muito mais complexo
Desde aquela primeira corrida em Goiânia, o MotoGP passou por uma transformação significativa.
Entre as principais mudanças estão:
- Aumento do número de etapas do campeonato
- Ampliação da presença global da categoria
- Crescimento do mercado de motocicletas
- Expansão da cobertura da mídia especializada
Nos anos 1980, o Brasil contava com poucas publicações especializadas em motociclismo. Hoje, além de revistas e portais, existem canais no YouTube, redes sociais, podcasts e influenciadores cobrindo o esporte.
Essa evolução também aumentou a disputa por credenciais e acesso dentro do paddock.
O legado da primeira corrida de MotoGP em Goiânia
Apesar das limitações tecnológicas da época, o GP realizado em Goiânia entrou para a história do motociclismo brasileiro.
A corrida mostrou que o país tinha capacidade de sediar uma etapa do campeonato mundial, mesmo enfrentando desafios logísticos inesperados, como a falta de orelhões compatíveis com o padrão internacional.
Quase quatro décadas depois, o cenário mudou completamente. Hoje, a cobertura de uma corrida envolve transmissão digital, redes sociais e comunicação instantânea com qualquer lugar do mundo.
Mesmo assim, as histórias daquele primeiro GP seguem sendo lembradas como parte importante da trajetória do MotoGP no Brasil.


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