A decisão de que motos a gasolina são proibidas de circular em determinadas regiões do Vietnã marca uma mudança relevante na política de mobilidade do país.
O governo vietnamita iniciou a implementação de zonas restritas na capital Hanói, com foco na redução da poluição e das emissões urbanas.
A medida foi formalizada por decreto assinado pelo primeiro-ministro Pham Minh Chinh e começa a valer a partir de julho.
A iniciativa já havia sido anunciada anteriormente, mas agora entra em fase prática, começando pelos distritos mais centrais e densamente povoados.
Restrição começa em regiões estratégicas de Hanói

A proibição inicial atinge bairros como Hoan Kiem e Ba Dinh, áreas com grande concentração de tráfego e circulação diária intensa.
O Vietnã possui uma das maiores proporções de motocicletas por habitante do mundo. Estima-se que o país tenha cerca de 72 milhões de motos em circulação.
Em uma população de aproximadamente 102 milhões de pessoas, isso representa quase uma motocicleta para cada 1,4 habitante.
Somente em Hanói vivem cerca de 8,8 milhões de pessoas, o que explica o impacto direto da medida na rotina da capital.
Objetivo é reduzir emissões e estimular motos elétricas
A proibição de motocicletas com motor a combustão interna faz parte de um plano ambiental mais amplo.
O governo vietnamita pretende ampliar significativamente a participação de modelos elétricos no mercado. A meta é que, até o fim da década, 25% das vendas de motos sejam de modelos movidos a eletricidade.
Atualmente, no entanto, o segmento elétrico ainda representa menos de 13% das vendas totais no país.
Comparação entre cenário atual e meta futura
| Indicador | Situação Atual | Meta até 2030 |
| Participação de motos elétricas | < 13% | 25% |
| Frota total estimada de motocicletas | 72 milhões | — |
| População total | 102 milhões | — |
O desafio está justamente na transição de uma frota majoritariamente movida a combustão para alternativas elétricas.
Impacto econômico preocupa setor de duas rodas
A decisão gerou reação de associações ligadas ao setor de motocicletas e pós-venda.
Entidades alertam que a restrição pode afetar diretamente uma cadeia produtiva responsável por cerca de 300 mil empregos no país.
Oficinas, distribuidores de peças e concessionárias podem sofrer redução de demanda à medida que a frota a gasolina diminui.
O governo, por sua vez, aposta que a expansão do segmento elétrico criará novas oportunidades industriais e comerciais.
Grandes marcas já disputam o mercado elétrico
O Vietnã conta com fabricantes e marcas atuantes no segmento de motos elétricas, entre elas:
- Yadea
- VinFast
- Pega
- Selex
- Nuen
Essas empresas já operam no país e podem ganhar participação com o avanço das restrições.
Expansão para outras cidades está nos planos
Inicialmente, a limitação vale apenas em zonas específicas da capital. Porém, o governo sinaliza que o modelo poderá ser estendido gradualmente para outras áreas urbanas ao longo dos próximos anos.
Autoridades locais já iniciaram campanhas informativas para orientar moradores sobre as novas regras e preparar a transição.
A proibição de motos a gasolina em áreas de Hanói representa uma das medidas mais rígidas já adotadas pelo Vietnã no combate à poluição urbana.
Com 72 milhões de motocicletas no país, a mudança tende a impactar milhões de usuários e todo o setor econômico ligado às duas rodas.
A transição para modelos elétricos será decisiva para o sucesso da estratégia ambiental. Enquanto isso, o governo aposta em expansão gradual das restrições e no crescimento da indústria de mobilidade elétrica para equilibrar os efeitos sociais e econômicos da medida.


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