Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial em 2026 seguem um calendário estratégico, organizado para anteceder outras grandes apresentações do Carnaval brasileiro. 

Ao longo de duas noites, as 14 agremiações que integram a elite da festa entram na avenida com enredos inéditos, que transitam entre temas históricos, culturais, sociais e religiosos.

A programação oficial concentra as apresentações em datas consecutivas, no sambódromo, após semanas de preparação e ensaios técnicos. A seguir, estão os enredos definidos por cada escola, organizados por dia de desfile.

Enredos de sexta-feira (13 de fevereiro)

foto: G1 Nacional

Mocidade Unida da Mooca — “Gèlèdès: Agbara Obinrin”

Estreando no Grupo Especial, a escola leva para a avenida um enredo centrado na força feminina negra. 

A proposta homenageia o Geledés – Instituto da Mulher Negra e destaca o legado intelectual, político e cultural de mulheres negras brasileiras, com referências a nomes históricos e contemporâneos. O desfile enfatiza saberes ancestrais, resistência e protagonismo.

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Colorado do Brás — “A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado”

A escola propõe uma releitura do imaginário das bruxas, afastando a visão de perseguição e punição para ressignificar essas figuras como mulheres detentoras de conhecimento. 

O enredo percorre episódios históricos de repressão, mas transforma a narrativa em celebração de liberdade, ancestralidade e autonomia feminina.

Dragões da Real — “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”

Inspirado em lendas indígenas da Amazônia, o enredo apresenta a história das Icamiabas, guerreiras que viviam em comunidades formadas apenas por mulheres.

 A narrativa conecta mitologia, coragem e preservação ambiental, destacando a relação entre os povos originários e a defesa da natureza.

Acadêmicos do Tatuapé — “Plantar para Colher e Alimentar”

A escola aposta em um tema social, abordando a questão da terra, da produção de alimentos e da agricultura familiar. 

O enredo dialoga com a luta pela reforma agrária e valoriza o trabalho no campo, ressaltando resistência, organização coletiva e justiça social como eixos centrais do desfile.

Rosas de Ouro — “Escrito nas Estrelas”

Atual campeã, a agremiação escolheu a astrologia como fio condutor do desfile. A narrativa percorre a formação do universo, o surgimento dos astros e a influência simbólica dos signos ao longo da história humana, conectando ciência, crença e imaginação em uma abordagem visual ampla.

Vai-Vai — “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”

A escola homenageia a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, marco do cinema nacional. 

O enredo revisita a trajetória do estúdio, sua relevância artística e técnica, além de destacar o contexto cultural e urbano da região onde funcionaram suas instalações, no ABC Paulista.

Barroca Zona Sul — “Oro Mi Maió Oxum”

Após abordar Iansã no ano anterior, a escola volta-se para Oxum. O desfile explora símbolos ligados às águas doces, à fertilidade, ao amor e à prosperidade. 

A proposta visual valoriza rios, cachoeiras e elementos associados à orixá, encerrando a noite com um tema de forte carga simbólica.

Enredos de sábado (14 de fevereiro)

Foto: Felipe Araújo/ Liga – SP

Império da Casa Verde — “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”

O enredo destaca a história das escravas de ganho, mulheres negras que atuavam no comércio de rua e conquistaram autonomia financeira. A narrativa tem como figura central Dona Fulô, símbolo de resistência e empoderamento no período colonial.

Águia de Ouro — “Mokum Amsterdã: O Voo da Águia à Cidade Libertária”

A escola leva para a avenida uma homenagem à cidade de Amsterdã. O enredo aborda aspectos culturais, arquitetônicos e históricos, além de destacar conexões entre Brasil e Holanda, incluindo a presença holandesa no Nordeste e seu legado.

Mocidade Alegre — “Malunga Léa: A Rapsódia de uma Deusa Negra”

O desfile presta tributo à atriz Léa Garcia. A narrativa percorre sua trajetória artística, ressaltando pioneirismo, representatividade e contribuição para o teatro, o cinema e a televisão. 

A escola destaca momentos marcantes da carreira e sua atuação em produções históricas.

Gaviões da Fiel — “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”

O enredo propõe uma reflexão sobre os povos indígenas, sua memória e sua luta pela preservação da vida e da floresta. A narrativa mistura realidade e espiritualidade, utilizando elementos simbólicos da cultura amazônica para discutir resistência e futuro.

Estrela do Terceiro Milênio — “Hoje a Poesia Vem ao Nosso Encontro”

A escola homenageia o compositor Paulo César Pinheiro. O desfile percorre sua obra e trajetória, ampliando o olhar para a importância dos compositores na construção da música brasileira, especialmente no samba e na MPB.

Tom Maior — “Chico Xavier: Nas Entrelinhas da Alma”

Campeã do Grupo de Acesso, a escola aborda a vida de Chico Xavier e sua ligação com a cidade de Uberaba. O enredo mescla biografia, espiritualidade e identidade local, utilizando como base as cartas psicografadas que marcaram a trajetória do médium.

Camisa Verde e Branco — “Abre Caminhos”

Encerrando os desfiles, a escola apresenta um enredo dedicado a Exu. A narrativa aborda suas múltiplas manifestações, o papel do orixá como guardião dos caminhos e da comunicação, além de discutir a presença das entidades de rua e a construção de seus cultos no Brasil.

Com temas diversos e abordagens que transitam entre história, cultura, espiritualidade e questões sociais, os enredos do Carnaval 2026 refletem a pluralidade das escolas e reforçam o caráter narrativo dos desfiles do Grupo Especial.


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